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Incêndios: “Estamos presos na armadilha do combate”

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Carlos Trindade, da Proteção Civil de Mafra, considera que a "fase da prevenção que acontece durante o resto do ano é a mais importante”.

Em declarações à SIC Notícias, Carlos Trindade, engenheiro da Proteção Civil de Mafra, explica que o problema dos incêndios não se prende com a falta de meios, mas sim com a falta de preparação ao longo do ano.

“Neste momento há cinco grandes ocorrências, todas concentradas num raio de 50 quilómetros, na zona entre Leiria, Pombal e Ancião”, começou por dizer Carlos Trindade, referindo-se aos mais preocupantes dos incêndios ativos em território nacional.

“Parece que estamos sempre na mesma tecla, que é: mais meios. O sistema atual está preparado em termos de meios materiais, de meios humanos e de coordenação. As condições meteorológicas são extremas e os meios são finitos", criticou.

“Nem os Estados Unidos, que é melhor país a nível material, tem bombeiros suficientes para os seus incêndios no panorama atual das alterações climáticas”, continuou o engenheiro, para quem isto significa que "temos que nos preparar a outros níveis”.

"A supressão é uma faceta – e estamos agora nessa fase -, mas a outra fase da prevenção que acontece durante o resto do ano é a fase mais importante”, explicou, referindo-se à silvicultura preventiva, reconversão do território e repovoação do interior.

No entanto, como essa preparação não se faz de um dia para o outro - e pode demorar "50 anos" -, explica, “estamos presos na armadilha do combate” e os “incêndios continuam a aumentar”.

Relativamente ao fogo que lavra na zona de Leiria, Pombal e Ansião, o especialista explica que outras zonas importantes já arderam em 2017, referindo-se ao incêndio de Pedrógão Grande, que tirou a vida a 66 pessoas.

“O triângulo do fogo acontece graças a três vertentes: combustível, topografia e energia. A topografia não é possível mudar”, por isso temos de trabalhar na energia das ignições e no combustível (a área que arde), defendeu.

Para reduzir o “combustível”, é necessária intervenção durante as estações do outono, inverno e primavera.

Explicou ainda que os meios nacionais não podem ser concentrados numa zona porque têm de estar disponíveis para agir e extinguir fogos com a máxima rapidez possível em todo o território.

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