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O que é uma onda de calor?

O que é uma onda de calor?
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É normal as temperaturas subirem no verão? Claro que sim, mas quando as autoridades alertam para uma onda de calor é para levar a sério. Perceba porquê.

A temperatura sobe um bocadinho e é habitual ouvirmos logo dizer que “vem aí uma onda de calor”. Na maioria das vezes, é normal, é apenas um sinal da chegada de uma nova estação do ano, mas nem sempre é assim. Há situações em que se registam mesmo ondas de calor, um fenónemo meteorológico com definição oficial.

Então, quando é que podemos falar de ondas de calor?

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, ocorre uma onda de calor quando, num intervalo de, pelo menos, seis dias consecutivos, a temperatura máxima diária é superior em 5ºC ao valor médio diário no período de referência.

As ondas de calor podem ocorrer em qualquer altura do ano, mas são, obviamente, mais sentidas e têm mais impacto nos meses de verão. Em Portugal Continental, junho é o mês em que ocorrem com maior frequência.

Desde 1940, quando começou a ser disponibilizada informação meteorológica diária num maior número de estações, é a partir da década de 90 que se regista a maior frequência deste fenómeno, segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Pela intensidade, duração e extensão geográfica e também pelos impactos sócio-económicos, destacam-se as ondas de calor de Junho de 1981, julho de 1991 e julho/agosto de 2003. Mas houve mais.

  • de 15 a 23 de junho de 2005

  • de 30 de Maio a 11 de junho 2005

  • de 29 de Julho a 15 de agosto 2003

  • de Julho de 10 a 18 de julho de 1991

  • de 10 a 20 de junho de 1981

A onda de calor mais longa em Portugal Continental

A onda de calor de julho e agosto de 2003, que no interior do território variou entre 16 e 17 dias, foi a que teve maior duração alguma vez registada desde 1941. No entanto, teve uma extensão espacial inferior à de 1981, porque não ocorreu onda de calor nas regiões do litoral e no sotavento algarvio.

Onda de calor julho-agosto de 2003
Onda de calor julho-agosto de 2003 (IPMA)

As ondas de calor podem durar pouco mais do que cinco dias ou prolongar-se durante várias semanas, algumas são localizadas, outras estendem-se a vários países. Podem passar quase despercebidas ou ter efeitos muito graves.

É normal fazer calor no verão e também é normal que, de vez em quando, se registem períodos de seis ou mais dias com temperaturas máximas superiores em 5ºC ao valor médio das máximas para aquele período do ano.

O que os especialistas têm registado e analisado é um aumento do número anual de ondas de calor, bem como da sua intensidade.

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Portugal pode vir a enfrentar 10 ondas de calor por ano

Portugal está a viver a segunda onda de calor do ano, mas poderá vir a ter em meio século oito a dez em cada ano. O alerta é do professor e investigador Pedro Matos Soares.

Atualmente o continente tem já o dobro das ondas de calor em relação ao século passado, explica em entrevista à agência Lusa o especialista, investigador principal do Instituto Dom Luis, professor no Departamento de Engenharia Geográfica, Geofísica e Energia (ambos da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

"Se observarmos as projeções para as ondas de calor em Portugal "projetamos para os últimos 30 anos do século, de acordo com o cenário mais gravoso, termos cerca de 8 a 10 ondas de calor por ano".

Pedro Matos Soares explica que o que levou à onda de calor que Portugal continental está a atravessar é um fenómeno meteorológico natural e que pode nem estar relacionado com as alterações climáticas. Mas garante que elas aumentam exponencialmente a probabilidade de acontecerem vagas de calor.

"O que não há dúvida é que temos, ano após ano, batido o recorde de temperatura global continental, estamos a ter um dos anos hidrológicos mais secos de sempre, tivemos o maio mais quente de sempre em Portugal, quer dizer que a probabilidade de termos esta onda de calor é muitíssimo maior com alterações climáticas do que sem as alterações climáticas, isso é uma realidade".

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A onda de calor que estamos a sentir poderá entrar para a lista das mais significativas. Portugal pode bater o recorde europeu de temperatura máxima registada.

Recordes de temperatura em Portugal esta semana

Esta quarta-feira foram batidos recordes de temperatura máxima em 13 estações meteorológicas do país, com o valor mais elevado registado na Lousã, com 46,3°C, segundo os dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

O dia 13 de julho foi o 5.º mais quente, tendo sido ultrapassados os anteriores maiores valores da temperatura máxima para este mês em 35 estações.

Até hoje, o valor mais elevado da temperatura foi registado na Amareleja, com 47,3°C, a 1 de agosto de 2003.

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Um perigo para a saúde

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, as ondas de calor têm relação direta com o aumento do número de mortes. O fenómeno meteorológico está entre os mais perigosos desastres naturais. Entre 1998 e 2017, cerca de 165 mil pessoas morreram por causa de ondas de calor.

Ao contrário de outros fenómeno climáticos extremos o calor passa a sensação de ser menos agressivo ou mais tolerável.

É importante, no entanto, não esquecer que o corpo humano tem um limite para aguentar altas temperaturas, podendo sofrer consequências como stresse, insuficiência cardíaca e lesão renal aguda por desidratação.

O que devemos fazer nos dias de calor extremo?

As temperaturas muito elevadas durante vários dias têm efeitos negativos para a saúde. A Direção-Geral da Saúde recomenda, por isso, a adoção de medidas de proteção adicionais.

  • Procurar ambientes frescos e arejados.
  • Beber mais água ou sumos de fruta sem açúcar.
  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas.
  • Evitar a exposição direta ao sol, principalmente entre as 11:00 e as 17:00. Utilizar protetor solar com fator igual ou superior a 30 e renovar a sua aplicação de 2 em 2 horas e após os banhos na praia ou piscina.
  • Utilizar roupa larga, opaca e que cubra a maior parte do corpo, chapéu de abas largas e óculos de sol com proteção ultravioleta.
  • Evitar atividades que exijam grandes esforços físicos, nomeadamente desportivas e de lazer no exterior
  • Escolher as horas de menor calor para viajar de carro. Não permanecer dentro de viaturas estacionadas e expostas ao sol.
  • Dar atenção especial a grupos mais vulneráveis ao calor, tais como crianças, idosos, doentes crónicos, grávidas, pessoas com mobilidade reduzida, trabalhadores com atividade no exterior, praticantes de atividade física e pessoas isoladas.
  • Os doentes crónicos ou sujeitos a medicação e/ou dietas específicas devem seguir as recomendações do médico assistente ou do centro de contacto SNS 24: 808 24 24 24.
  • As crianças com menos de 6 meses não devem estar sujeitas a exposição solar, direta ou indireta.
  • Contactar e acompanhar os idosos e outras pessoas que vivam isoladas. Assegurar a sua correta hidratação e permanência em ambiente fresco e arejado.
  • Ter cuidados especiais, nomeadamente: moderar a atividade física, evitar a exposição direta ou indireta ao sol e garantir ingestão frequente de líquidos.

Mais informação pode ser obtida nas páginas da Direção-Geral da Saúde, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera e da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.