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Mina de cobre em Grândola passa a projeto de potencial interesse nacional mas divide opiniões

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O autarca teme que a mina coloque em causa a distribuição de água e os poços privados.

A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) autorizou um projeto de potencial interesse nacional (PIN) para uma nova mina no concelho de Grândola. Este só será travado, eventualmente, pelo parecer de impacto ambiental. Situado numa importante reserva de águas subterrâneas, o projeto mineiro - de cobre e zinco - tem a oposição da câmara municipal, que sublinha o efeito desastroso que a mina terá numa região que é das primeiras a sofrer com falta de água.

A há muito anunciada mina de cobre, chumbo e zinco é discutida entre a população. O projeto, que já ganhou estatuto de PIN, pretende retirar das profundezas a riqueza preciosa que o chão esconde - um filão que irá permitir a retirada de 5.000 toneladas de metais preciosos por dia.

A mina está projetada para a margem esquerda do Sado e tem uma vida prevista de 14 anos. O acesso às galerias, na Lagoa Salgada, fica a 15 quilómetros de Grândola. As sondagens intensivas para avaliar todas características do subsolo decorrem por trás de um portão que foi mandado fechar a cadeado depois de a SIC pedir para filmar os trabalhos.

Para alguns, a mina há de trazer a riqueza que ali ainda não encontraram. Outros estão mais reticentes. Para o presidente da Câmara nem a quantidade de metais preciosos chega para o convencer.

O concessionário conseguiu uma autorização PIN, mas a AICEP garante que se não houver sustentabilidade ambiental a licença ficará pelo caminho. Descrente, a Câmara de Grândola não quer ver repetido o que aconteceu nas antigas minas de Canal Caveira e Lousal.

Em áreas mineiras de cobre e zinco, localizadas na região do Alentejo, as reservas subterrâneas de água desapareceram com o início da exploração. Um argumento usado como justificação para as preocupações da autarquia.

Uma das principais captações de água do concelho fica precisamente na propriedade para onde está projetada a implantação da mina, o que pode colocar em risco, não só a distribuição pública, mas também os furos privados.

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