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"Nós não somos coisas": refugiados arriscam despejo

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O programa de acolhimento na Fundação Allamano está a chegar ao fim.

Um refugiado está há quase dois anos à espera que o SEF decida se dá luz verde ao pedido de proteção internacional. O programa de acolhimento na Fundação onde está a viver chegou ao fim e agora corre o risco de ficar sem alojamento.

Victor Kwami fugiu do Togo, no golfo da Guiné, entrou clandestino na Argélia, passou pela Líbia - onde esteve preso -, voltou a fugir e foi resgatado ao largo de Itália. Chegou a Portugal em 2020, como refugiado. Trabalha no Ikea e paga impostos. Ainda assim, o visto de residência provisória continua à espera da decisão do SEF para a concessão final do estatuto de refugiado.

Aliu Mohammed tem uma história parecida à de Victor. Ambos os refugiados foram acolhidos na Fundação Allamano, ao abrigo do protocolo de cooperação com o Alto Comissariado para as Migrações e o SEF, por 18 meses. Agora que esse período terminou, estão a ser pressionados para sair do centro de acolhimento.

À SIC, a Fundação Allamano diz, em comunicado, que esta recusa para sair do centro é “injustificada e prejudica outros jovens migrantes em situação precária, que aguardam ajuda e acolhimento temporário”.

A fundação explica que nos últimos quatro meses tem assumido todos os custos, sem qualquer ajuda estatal, e assegura ter apresentado alternativas ao grupo.

A fundação até os tentou forçar a sair do quarto, mas foram aconselhados por uma advogada a ficar, sob pena de serem prejudicados na regularização dos documentos.

Um outro refugiado, Zayed, oriundo do Paquistão, está em Portugal há 20 meses e não entende a demora para ter o documento que lhe permitiria viajar para fora do país.

A SIC pediu esclarecimentos ao SEF, que se limitou a confirmar que Victor Kwami está em situação regular, documentado com uma Autorização de Residência Provisória que lhe confere direitos sociais, de trabalho e residência em Portugal.

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