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Autarcas da Póvoa de Varzim recebem ameaças de morte

Autarcas da Póvoa de Varzim recebem ameaças de morte
Andrés Lg
A revelação foi feita pela própria Câmara Municipal. Em causa estão três envelopes com balas no interior e uma “dedicatória”.

Três autarcas da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim denunciaram esta terça-feira terem sido alvos de ameaças de morte, um dia depois de terem começado as operações de demolição da praça de touros do concelho.

Numa publicação na página da autarquia no Facebook, assinada pelo presidente, pelo vice-presidente e pelo presidente da Assembleia Municipal da Póvoa de Varzim, é referido que “(…) foram colocados à entrada do edifício-sede da Câmara Municipal dois envelopes, um dirigido ao Presidente da Câmara, outro ao seu Vice-Presidente. Os conteúdos eram iguais (…): uma bala para cada um”.

"Vinte e quatro horas após o início da demolição da desativada Praça de Touros da Póvoa de Varzim, foram colocados à entrada do edifício-sede da Câmara Municipal dois envelopes, um dirigido ao Presidente da Câmara, outro ao seu Vice-Presidente. Os conteúdos eram iguais, quer no objeto, quer na dedicatória: uma bala para cada um, acompanhada destes dizeres: "Não é uma ameaça, muito menos um aviso, é uma previsão. Ou uma destas na testa. A vossa escolha é fácil. Não vamos gastar mais munições com envelopes". Ameaça igual recebeu, na sua clínica, o presidente da Assembleia Municipal", lê-se na publicação.

Os autarcas garantem que as ameaças foram participadas às autoridades e reiteram que "(...) esta tresloucada ameaça (...) não é mais que a tentativa desesperada de uma minoria de impedir a concretização de uma deliberação legitimada pelo (...) e sancionada pela instância judicial junto da qual a minoria contestatária interpôs providência cautelar".

A praça de touros da Póvoa de Varzim começou esta segunda-feira a ser demolida, depois de um interregno de dois anos devido a uma providência cautelar interposta por uma associação local, a que o tribunal não deu provimento.

As operações começaram depois da autarquia ter recebido, na quinta-feira, a informação de que a decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto transitou em julgado, dando luz verde para que as obras para a construção de um pavilhão multiusos, que vai ser erguido no mesmo local, possam avançar.

A obra, com um custo previsto de cerca 9 milhões de euros, foi anunciada em 2019, mas no ano seguinte, já depois do lançamento do concurso público para a empreitada, o processo de demolição foi travado pela Justiça, na sequência de uma ação movida pela pela Patripove (Associação de Defesa e Consolidação do Património Poveiro).

A associação considerava que o equipamento devia ser "preservado e não demolido", apontando que o mesmo faz parte "do património imaterial da memória de gerações de poveiros e da memória da cultura popular Portuguesa".

Já em março deste ano, Aires Pereira, Presidente da Câmara da Póvoa de Varzim, revelou que, após análise, o tribunal indeferiu a providência cautelar, permitindo à autarquia ratificar, em Assembleia Municipal, o Plano de Pormenor para a zona da cidade, contemplando o novo equipamento.

"Já não existe providência cautelar. Com a publicação do Plano Pormenor da Zona E54 em Diário da República, teremos condições para pôr as coisas em andamento. O Tribunal Administrativo [e Fiscal do Porto] pura e simplesmente decidiu que não havia lugar a providência cautelar e que todos os argumentos utilizados não faziam sentido", disse na altura o autarca.

Agora, após seis meses, a sentença transitou em julgado, e a Câmara da Póvoa de Varzim iniciou a demolição do espaço, sendo que até ao início desta tarde, metade do equipamento já tinha sido destruído, como constatou a Lusa no local.

A operação de demolição vai prolongar-se nos próximos dias, para libertar a área para construção do novo espaço multiusos, apelidado Póvoa Arena, que não contempla receber corridas de touros, e terá capacidade para 3.000 pessoas, para eventos culturais, feiras, congressos e atividades desportivas. Terá também estabelecimentos comerciais e de restauração.

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