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Jerónimo de Sousa defende luta contra o fascismo ao recordar o militante comunista Saramago

Jerónimo de Sousa defende luta contra o fascismo ao recordar o militante comunista Saramago
TIAGO PETINGA

O líder do Partido Comunista Português (PCP) descreveu o fascismo como uma “hidra venenosa”.

O secretário-geral do Partido Comunista Português lembrou hoje José Saramago como o militante comunista que desde cedo lutou contra o fascismo, defendendo que é tempo de intensificar essa luta nos dias de hoje contra protagonistas que promovem a guerra.

“Celebramos mais um aniversário da atribuição do Prémio Nobel e nesta celebração evocamos o homem que desde muito jovem tomou lugar na luta pela libertação do seu povo e contra o fascismo”, disse Jerónimo de Sousa, perante uma sala cheia de pessoas que se juntaram para assinalar os 24 anos de atribuição do Nobel da Literatura a José Saramago.

O líder do Partido Comunista Português (PCP) descreveu o fascismo como uma “hidra venenosa”, que nos dias atuais “retoma um inquietante levantar de cabeça, nuns sítios às claras e provocatoriamente, noutros a coberto de disfarces vários e novas aparências e alteradas características”, referindo-se ao resultado das recentes eleições legislativas em Itália, em que a coligação de extrema-direita ganhou com maioria absoluta.

Para Jerónimo de Sousa, o avanço das ideologias e forças de extrema-direita não é um fenómeno novo e tem-se multiplicado por diferentes países, como França ou Suécia, mas também Portugal, onde se constata o “avanço de forças reacionárias e retrógradas”.

“O que confirma a necessidade de intensificar a luta contra o revisionismo histórico que branqueia e banaliza os crimes do nazifascismo, fomenta o anticomunismo, promove o obscurantismo cultural”, defendeu.

Segundo o líder comunista, é um fenómeno com diferentes causas, mas que tem como pano de fundo “a aguda crise estrutural do capitalismo e a expressão do aprofundamento do seu caráter explorador, opressor, agressivo e predador”.

“É responsável pela situação de instabilidade e incerteza no plano mundial, de que são expressão a instigação da guerra, a deriva militarista e armamentista a que assistimos, protagonizada pelo imperialismo norte-americano, a União Europeia e a NATO”, acusou.

Sem mencionar concretamente a guerra na Ucrânia, apontou o dedo a “esses mesmos protagonistas” que, “aqui, na Europa, apostam na promoção e continuação da guerra, em vez da paz, com pesadas consequências para todos os povos”.

Jerónimo de Sousa lembrou Saramago como “o militante comunista e escritor presente e interveniente ativo”, destacando também a “dedicada intervenção na defesa dos valores de Abril”, alimentando a esperança “de que a realidade se alterasse, que o sentido de justiça social e política se ancorasse projeto superior dos seus concidadãos, num mundo igualitário e solidário”.

“Daí a sua grandeza e a importância da sua obra, desse peculiar modo de interpretar o nosso mundo”, sublinhou.

Apontou também que Saramago “não é um autor particularmente acarinhado pelo conservadorismo dos poderes instalados, que sempre encontraram pretextos para limitar a divulgação, interna e externamente, da sua obra”, recordando o “episódio patético, triste e mesquinho do então subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara”.

Disse ainda que a cerimónia evocativa de hoje, que decorreu no Centro de Trabalho Vitória, em Lisboa, serve também para lembrar como a atribuição do Nobel foi um contributo para a afirmação e para o reconhecimento da literatura portuguesa no mundo e serviu para projetar a cultura portuguesa além-fronteiras.

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