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"Esse tipo é tão português como eu sou transexual"

(Arquivo)
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MANUEL DE ALMEIDA

André Ventura acusa o PS de abrir portas a uma emigração sem regras.

O líder do Chega acusou esta sexta-feira o PS de abrir portas a uma emigração sem regras ao acabar com os vistos na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

"Acabaram com os vistos, praticamente, na CPLP, a meio do verão, com o país a dormir, quase ao mesmo tempo em que Fernando Medina tentou contratar o assessor para as Finanças a um preço incrível. O que isto significa é que deixará de haver regras para a entrada de emigrantes, sobretudo dos países de língua portuguesa", disse André Ventura, num jantar-comício no Pinhal Novo, em Palmela, que terminou já de madrugada.

"Estamos a falar de alguns países com mais de 200 milhões de habitantes, como é o caso do Brasil, com quem nós temos uma enorme ligação, por quem nós temos um enorme respeito, mas [os emigrantes] não podem vir de qualquer maneira, não podem vir sem regras, não podem vir simplesmente para viver à nossa custa. E é isso que está a acontecer", acrescentou.

André Ventura disse ainda que Portugal foi "o segundo país do mundo que mais nacionalidades deu o ano passado" e considerou que o alegado "aumento da população portuguesa é artificial".

"Todos os dias, para quem esteja mais atento, ouve assim: português comete crime no Reino Unido. E vamos ver o nome do português e é Sadi-Kala-Alakbar", disse, num tom jocoso para com os nacionais de outros países que obtiveram nacionalidade portuguesa.

"Esse tipo é tão português como eu sou transexual. Bom, eu não sou transexual. Talvez não tenha sido um bom exemplo, porque ele é mesmo português, com o cartão. Mas isto é para vos chamar à atenção", acrescentou o líder do Chega.

Pouco antes, André Ventura tinha criticado o PS por ter manifestado a intenção de apresentar na Assembleia da República um projeto de lei para a partilha de casas de banho e balneários por jovens de sexo oposto, desde que estejam em "processo social de transição".

"Podiam querer isto e assumir perante os portugueses: é este disparate que nós queremos e pronto. Mas não. Querem esconder. E quando nós levantámos a mão, encheram-se de medo, porque sabem que as pessoas vão saber o que é que se passa", disse.

"Aqueles símbolos de casas de banho mistas, para homens e para mulheres - que é o que querem - é o símbolo maior destes devaneios, e destes disparates, a que a esquerda nos quer transportar. A nossa luta não é só uma questão de mais dinheiro, de menos corrupção, é uma luta de civilizações, é uma luta de projetos de valores e de projetos de vida, por Portugal", afirmou André Ventura.

O líder do Chega anunciou ainda que vai apresentar uma segunda moção de censura ao Governo se não forem devidamente esclarecidos os casos de alegadas incompatibilidades que envolvem vários ministros do Executivo socialista de António Costa.

"Quero anunciar aqui que, não obstante as limitações regimentais que temos, por força de já o termos feito, se estes casos de incompatibilidades no governo não cessarem e se a justiça não resolver esta vergonha, o Chega voltará a apresentar uma moção de censura ao Governo de António Costa no parlamento", disse André Ventura.

"Estes casos são graves demais", disse Ventura, que acusou o Governo do PS de "andar a brincar com o dinheiro dos portugueses", face aos casos de alegadas incompatibilidades do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, da ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, e do ministro da Saúde, Manuel Pizarro.

O dirigente do Chega, que já tinha pedido a demissão dos três governantes, indicou que o partido entregou, na sexta-feira, ao Tribunal Constitucional, "um pedido para que seja feita uma investigação judicial", considerando que a lei em vigor é muito clara, ao contrário do que diz o PS, e que "estes casos de incompatibilidades devem gerar a demissão dos membros do governo".

Perante cerca de duas centenas de apoiantes, André Ventura respondeu também ao ministro Pedro Nuno Santos, que disse no parlamento que ia permanecer mais tempo como deputado do que o atual líder do Chega.

"Os socialistas habituaram-se a controlar absolutamente tudo e, portanto, na verdade, Pedro Nuno Santos não estava a fazer uma previsão, como as previsões da Maia, mas uma ameaça", concluiu.

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