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Os discursos de Costa e Sánchez no final da 33.ª cimeira ibérica

Os discursos de Costa e Sánchez no final da 33.ª cimeira ibérica
ESTELA SILVA

Chefes de Governo de Portugal e Espanha estiveram reunidos, na 33.ª cimeira ibérica, em Viana do Castelo.

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Os chefes de Governo de Portugal e Espanha, António Costa e Pedro Sánchez, respetivamente, concordam que os dois países têm “boas relações”. Os responsáveis estiveram reunidos, esta sexta-feira, na 33.ª cimeira ibérica, em Viana do Castelo. O primeiro-ministro português enumerou os principais acordos entre os vizinhos ibéricos.

Seca

"Iremos continuar a trabalhar juntos [Portugal e Espanha} e é com grande sentido de missão que Portugal se junta à iniciativa de Pedro Sánchez com o Presidente do Senegal para, na próxima COP 27, lançarem uma iniciativa global contra a seca", referiu, na conferência de imprensa de encerramento.

"É um desafio global onde todos temos de nos empenhar num esforço para ultrapassar uma das piores manifestações das alterações climáticas".

Destaque para três acordos

António Costa salientou três acordos assinados com os vizinhos ibéricos “que dão particular dimensão ao tema da inovação”.

Em primeiro lugar, anunciou a criação de uma "constelação atlântica", uma constelação de satélites, que vai permitir disponibilizar informação sobre "o que se passa em terra" e dados para a investigação científica.

António Costa referiu, de seguida, um acordo para o desenvolvimento da fileira da microeletrónica e dos semicondutores. O objetivo é ajudar a recuperar a economia estratégica da Europa.

Já esta sexta-feira, os dois chefes de Governo iniciaram o dia no Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, em Braga. Pedro Sánchez disse, na conferência de imprensa conjunta, ter ficado “muito surpreendido” com a capacidade deste laboratório

Por último, o primeiro-ministro português destacou a criação de um centro ibérico de investigação e armazenamento de energia, em Cáceres, uma "espécie de irmão gémeo" do centro ibérico de Nanotecnologia.

“Representa a investigação da ciência ibérica e de mais de 30 países”, afirmou o chefe do Governo espanhol.

Energia

Aos jornalistas, Costa disse que Portugal apoia uma ideia da vice-chefe de Governo de Espanha, Teresa Ribera, sobre o armazenamento de energia para garantir “maior segurança energética”.

Guia prático do Trabalhador: "É um marco muito importante"

O primeiro-ministro referiu, no seu discurso, o guia prático do trabalhador transfronteiriço, um acordo que, segundo o líder espanhol, é “muito importante”.

“Codifica as regras de legislação de trabalho de Espanha e de Portugal para todos trabalharem dos dois lados da fronteira com trabalhos dignos de igualdade de direitos”, afirma António Costa.

Vias de comunicação

António Costa anunciou a criação de duas vias rodoviárias - já previstas no Plano de Recuperação e Resiliência de Portugal, que considera "exemplos importantes para as regiões".

Uma delas liga Nisa, no distrito de Portalegre, a Cedillo, na província de Cáceres. A outra liga Alcoutim, no distrito de Faro, a Sanlúcar de Guadiana, na província de Huelva.

Gasoduto ibérico

O primeiro-ministro anunciou que Portugal, França e Espanha têm de apresentar a Bruxelas o projeto sobre as interligações energéticas até 15 dezembro, querendo os executivos trabalhar com a Comissão Europeia para identificar fontes de financiamento europeu.

Na conferência de imprensa conjunta com Sánchez, António Costa saudou o acordo alcançado em outubro entre Portugal, Espanha e França para a construção de interligações energéticas entre a Península Ibérica e o resto da Europa.

Segundo o primeiro-ministro, os governos dos três países estão a trabalhar para que, "depois do encontro em Alicante", no dia 9 de dezembro, possa ser apresentado "um projeto comum na União Europeia na data limite, que é 15 de dezembro".

Este foi também um dos destaques do discurso de Pedro Sánchez, que remeteu mais esclarecimentos - como prazos e o financiamento - para o encontro de 9 de dezembro.

“Exelente relação política” com Espanha

O primeiro-ministro lembrou ainda que 2022 está a ser um ano "particularmente difícil", ainda a recuperar da pandemia, a enfrentar uma seca severa e com "todas as consequências da guerra da Rússia com a contra a Ucrânia.

No entanto, salientou que a "proximidade" e a "excelente relação política entre Portugal e Espanha" permitiu encontrar respostas para "problemas difíceis", como o acordo para o gasoduto ibérico.

Já o chefe de Governo espanhol, Pedro Sánchez, considerou também que a relação entre Portugal e Espanha é "excecional" e fala numa "visão clara" e de união durante a crise.

O responsável espanhol disse estar “orgulhoso” com as decisões tomadas entre os dois países. E referiu a relações “muito intensas e profundas”.

Pedro Sánchez destacou ainda o compromisso humanitário com a Ucrânia.

Os chefes de Governo de Portugal e Espanha, António Costa e Pedro Sánchez, respetivamente, estiveram esta sexta-feira reunidos, na 33.ª cimeira ibérica, em Viana do Castelo.

Estiveram presentes nove ministros de cada governo, com as pastas da energia, ambiente, transportes, obras púbicas, igualdade, administração interna, negócios estrangeiros e coesão territorial.

A cimeira, que tinha como tema a inovação, terminou com a conferência de imprensa conjunta de António e Costa e Pedro Sánchez.