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Covid-19: arquivado processo contra médico que criticou a vacinação de crianças

Covid-19: arquivado processo contra médico que criticou a vacinação de crianças
Smith Collection/Gado

16 médicos apresentaram queixa à Ordem dos Médicos contra Jorge Amil Dias, considerando que gerou uma onda de desconfiança nos pais.

O Conselho Disciplinar da Ordem dos Médicos decidiu arquivar um processo contra o presidente do Colégio de Pediatria, que no final de janeiro defendeu a suspensão da vacinação contra a covid-19 em crianças dos 5 aos 11 anos.

Jorge Amil Dias afirmou que a vacinação nessas idades era “desproporcionada” e “desnecessária” e que podia provocar um aumento de miocardites e outras situações adversas.

Contra estas observações, 16 médicos apresentaram queixa à Ordem, alegando que as palavras de Amil Dias eram “populistas” e “inflamatórias” e que tinham gerado uma onda de desconfiança nos pais.

Opinião diferente teve, porém, o relator do processo que considerou que as questões levantadas pelo dirigente do Colégio de Pediatria eram pertinentes e aceitáveis e não tinham violado as normas e o código deontológico dos médicos.

“Pese embora as preocupações transmitidas pelo médico participado no que respeita aos possíveis efeitos adversos da vacinação não pareçam sustentadas nos dados à data existentes, as mesmas são compreensíveis e aceitáveis, uma vez que, em 29 de Outubro de 2021, foi emitida uma autorização para o uso de emergência da vacina da Pfizer-BioNtech para a prevenção da COVID-19 em crianças entre os 5 e os 11 anos de idade”, lê-se no comunicado do Conselho Disciplinar Regional do Sul.

O Conselho Disciplinar, que se apresenta como “favorável à vacinação”, refere porém que “as questões metodológicas e clínicas levantadas pelo médico (…) foram pertinentes, entendendo que as mesmas não devem ser consideradas ofensivas para os colegas, para a Ordem dos Médicos, para o seu bastonário, ou para o Gabinete de Crise para o COVID-19, apenas traduzindo divergência de opiniões, sendo, no contexto em que foram proferidas, aceitáveis”.

Por estas razões, conclui “não ter havido violação das leges artis ou do Código Deontológico por parte do médico participado, pelo que se propõe ao Conselho Disciplinar Regional do Sul o arquivamento do presente processo disciplinar”.

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