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Com um aplauso de pé, Parlamento despede-se de Jerónimo de Sousa

Com um aplauso de pé, Parlamento despede-se de Jerónimo de Sousa
Horacio Villalobos
Augusto Santos Silva quis, “em nome de toda a câmara, agradecer ao deputado Jerónimo de Sousa, que foi um deputado durante décadas nesta assembleia”.

O Parlamento despediu-se esta segunda-feira do antigo líder do PCP, Jerónimo de Sousa, com um aplauso de pé no hemiciclo.

No início da sessão plenária que marca o início da semana da votação final global do Orçamento do Estado para 2023, os deputados aprovaram a substituição de Jerónimo de Sousa por Duarte Alves, após a renúncia do ex-secretário-geral comunista depois de quase 40 anos no Parlamento.

Já se sabia que Jerónimo de Sousa não voltava à Assembleia da República, mas esta segunda-feira foi aplaudido de pé pelas várias bancadas à esquerda do Parlamento e pelos deputados do PSD, tendo os deputados da Iniciativa Liberal aplaudido sentados. A bancada do Chega foi a única que não aplaudiu.

  • Veja aqui o momento:

O presidente do Parlamento fez questão de agradecer a "contribuição política" de Jerónimo de Sousa "em nome de toda a câmara e ao longo de várias décadas.

Augusto Santos Silva assinalou também que "a sua cordialidade, simpatia pessoal é reconhecida por todos, fez muitos amigos nesta câmara".

"Mas queria também valorizar a sua contribuição política. A democracia vive do debate entre ideias de diferentes correntes políticas e do trabalho de cada uma e cada um de nós na representação dos seus eleitores, das ideias e das propostas das suas forças políticas", defendendo, apontando que "em todas essas áreas o senhor deputado Jerónimo de Sousa se notabilizou".

Antes de intervir na abertura do debate do Orçamento do Estado na especialidade, a ministra dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, agradeceu o "trabalho e contributo para a democracia portuguesa" do comunista.

Jerónimo de Sousa apresentou no dia 8 de novembro a renúncia ao mandato de deputado à Assembleia da República, tendo sido substituído por Duarte Alves, um dos mais jovens dirigentes do partido.

Com a Assembleia da República com os trabalhos condicionados devido ao período orçamental, a substituição foi formalizada esta segunda-feira com a aprovação em plenário do parecer da Comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados.

Duarte Alves, de 31 anos, era o 'número três' pelo círculo eleitoral de Lisboa nas últimas eleições legislativas (onde o PCP apenas elegeu dois deputados, Jerónimo de Sousa e Alma Rivera) e vai substituir o secretário-geral cessante.

O economista já foi deputado durante as XIII e XIV legislaturas e ficou conhecido por integrar a comissão de inquérito às perdas do Novo Banco imputadas ao Fundo de Resolução. No Parlamento acompanhava matérias como o Orçamento do Estado e finanças, e energia.

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