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Greve das chefias da guarda prisional ameça deixar cadeias "sem comando" pela primeira vez em 48 anos

Greve das chefias da guarda prisional ameça deixar cadeias "sem comando" pela primeira vez em 48 anos
Michele D'ottavio / EyeEm

Num comunicado sobre os motivos da greve, a ASCCGP apontou inércia, a apatia e a desconsideração do Ministério da Justiça sobre os problemas do sistema prisional".

A Associação Sindical de Chefias do Corpo da Guarda Prisional (ASCCGP) realiza hoje uma greve total ao trabalho para exigir um novo estatuto profissional, pagamento de suplementos e outras reivindicações, advertindo que o protesto deixa as cadeias "sem comando".

O presidente da ASCCGP, Hermínio Barradas, garantiu à agência Lusa que a paralisação será total e, "pela primeira vez desde o 25 de abril de 1974, as prisões portuguesas vão ficar sem chefias e sem comando", uma vez que não haverá serviços mínimos, ao contrário do que aconteceu no primeiro dia de greve, na passada sexta-feira.

Segundo disse, com a greve de hoje "o cenário será distinto e inédito", podendo as cadeias estar "à deriva e sem um comando" para distribuição de funções.

Num comunicado sobre os motivos da greve, a ASCCGP apontou inércia, a apatia e a desconsideração do Ministério da Justiça sobre os problemas do sistema prisional" e criticou a "opção do Governo de continuar a ignorar a existência de uma inédita (...) falta (...) de efetivo, indesejável e arriscada".

Objetivos da greve

Os objetivos da greve, de acordo com a associação sindical, visam a criação de um novo estatuto profissional, a regulamentação da avaliação de desempenho do corpo de guarda prisional, a abertura de concursos para todas as categorias, o pagamento do suplemento de segurança prisional e a resolução de problemas estruturais no sistema prisional.

Denunciando "péssimas condições de trabalho", bem como vencimentos "baixos e incongruentes", o organismo sindical lamentou ainda a ausência de perspetivas de evolução na carreira e a falta de reconhecimento.

Por isso, considerou ser necessária a intervenção do executivo, apesar de registar a "permanente humilhação funcional" pela tutela.

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