País

Doente transportada pelos braços para interior de hospital por falta de cadeiras de rodas

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Dezassete hospitais desviaram doentes para centros de saúde.

Dezassete hospitais, a maioria da região de Lisboa e Vale do Tejo, começaram a desviar doentes com pulseira verde para centros de saúde. Na região da Grande Lisboa, o cenário é complicado, mas a situação mais complexa regista-se em Setúbal.

Não há médicos que cheguem e os pais ficam sem saber para onde levar os filhos. Quem chegou esta terça-feira depois das 9:00 à urgência pediátrica, em Setúbal, teve de procurar alternativas, sem qualquer ajuda do hospital.

Os pais que se veem confrontados com esta situação revelam que têm de recorrer a hospitais privados, contudo nem toda a gente tem capacidade financeira para adotar essa solução.

O cenário que se vive na urgência geral é, igualmente, preocupante. Na tarde desta terça-feira, uma utente com uma reação anafilática demorou a ser transportada para o interior do hospital.

Segundo testemunhas oculares, a paciente que se encontrava em dificuldades respiratórias teve de aguardar 20 minutos no carro, antes de ser levada pelos braços para o interior do centro hospitalar, devido à falta de cadeiras de rodas.

Autarcas de Setúbal exigem soluções

Os autarcas de Setúbal, Sesimbra e Palmela exigem que o Governo encontre, com a máxima urgência, soluções para que os utentes possam ter acesso aos cuidados a que têm direito.

O hospital mais perto é o Garcia de Orta, em Almada, que na última madrugada voltou a desviar doentes não críticos para fora da área de influência, para terem um atendimento mais rápido e adequado.

O Hospital de Santa Maria dá também sinais de desgaste preocupantes.

“Cobrimos e ajudamos os outros hospitais nos doentes que necessitam de tratamentos mais diferenciados. Quando por alguma razão, que foi o que aconteceu este fim de semana, eles entra em falência nós também ajudámos os outros doentes mas tem que haver uma reciprocidade e eles têm também que ajudar e receber os doentes que nós começamos a tratar”, afirma João Gouveia, diretor dos serviços de urgência do Hospital de Santa Maria.

A maioria dos doentes que chegam a esta centro hospitalar vêm com doença grave. A afluência é grande e só pontualmente o tempo de espera desce para as duas horas.

"Mesmo com equipas que estão bem dimensionadas nós não conseguimos dar resposta em tempo útil. Tem de haver aqui alguma diferença e pede-se às pessoas que não venham à urgência a não ser que seja absolutamente necessário", revela o diretor.

O Hospital de São José, em Lisboa, também está a ser procurado por doentes fora da área de residência e durante o fim de semana, a média foi de 160 doentes dia.

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