Casos de Polícia

Mãe de Valentina: "Nunca deixei a minha filha para trás para fazer noitadas"

Exclusivo SIC

Entrevista exclusiva a Sónia Fonseca, mãe de Valentina.

Um mês depois do crime que chocou o país, a mãe de Valentina falou sobre a relação com o pai da criança.

Numa entrevista exclusiva à SIC, Sónia Fonseca nega as acusações de negligência e confessa que ainda não consegue aceitar a morte da filha.

"Nunca deixei a minha filha para trás para ir fazer noitadas nem nunca a troquei por homem nenhum"

Sónia Fonseca nega que alguma vez tenha deixado Valentina para trás "para ir fazer noitadas". Conta que trabalhava 10 horas por dia numa frutaria e nas noites de sexta-feira e sábado trabalhava num bar para ganhar mais dinheiro.

"Um pai serve para amar e proteger e não para tirar a vida"

A mãe de Valentina contou à SIC que a menina gostava de ir para a casa do pai e que nunca se queixou de nada, nem denunciou o pai por quaisquer abusos ou gestos mais violentos. Sónia Fonseca condena Sandro Bernardo pela morte da criança de 9 anos.

Valentina ficou na casa do pai durante o estado de emergência

Valentina foi para Atouguia da Baleia, onde ficava a casa do pai, passar quatro dias das férias da Páscoa. Sónia Fonseca conta que a criança ficou mais dias na casa do pai porque na altura foi decretado o estado de emergência em Portugal, a propósito da pandemia de Covid-19, e a menina não voltou para a casa da mãe. Como a mãe de Valentina continuou a trabalhar durante o estado de emergência, considerou que era mais seguro se a filha ficasse em casa do pai.

"Eu continuei a trabalhar e o que é que pensei? Ela vem para a minha casa e depois vou deixá-la com quem? Tenho de andar com ela na rua. Também não era justo da minha parte porque eu lidava com pessoas. Imaginemos que essas pessoas estavam infetadas. Eu ia para casa e acabava por infetar a Valentina também. Achei por bem ela ficar lá (Atouguia da Baleia)", refere.

Em 2019 Valentina fugiu da casa do pai porque "tinha saudades da mãe"

Nas férias da Páscoa de 2019 Valentina foi passar 15 dias na casa do pai. Nesse altura, a menina fugiu de casa. À psicóloga da CPCJ - Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens - disse que tinha saído de casa porque estava com saudades da mãe.

"Foi encontrada à entrada de Peniche. Em pijama, de sapatilhas e casaco", conta Sónia Fonseca.

A partir desse dia, a menina ficou sinalizada pela CPCJ. A entidade chegou a abrir um processo mas um mês depois arquivou o inquérito e deixou de seguir a menor.

Pai de Valentina não quis reconhecer a paternidade

Sónia Fonseca conta que o pai da Valentina não quis reconhecer a paternidade. Sandro Bernardo dizia que menina não era filha dele e só reconheceu depois de fazer os testes de paternidade, quando Valentina fez 1 ano.

O caso seguiu para tribunal e desde então o pai de Valentina estava com a filha de 15 em 15 dias. A mãe conta que a criança nunca chegou maltratada da casa do pai.

"Se um dia me cruzar com o Sandro ou a Márcia....tenho medo da minha reação"

Depois de quatro dias de buscas onde participaram centenas de pessoas, foi Sandro - o pai - quem indicou à Políciária Judiciária o local onde estava o cadáver da filha.

Sandro Bernardo e a mulher foram detidos. Estão indiciados pelos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver.

A mãe de Valentina considera que tanto o Sandro como a Márcia (madrasta da criança) são igualmente culpados no homicídio da menina de 9 anos. Diz que não está preparada para os encarar e refere ainda que tem medo daquilo que possa fazer caso se cruze com eles um dia.

"Não consegui despedir-me da minha filha. Não lhe disse um 'adeus', disse um 'até já'"

Sónia diz que não conseguiu despedir-se de Valentina. "Ela para mim não morreu, está comigo e vai estar sempre. Para mim isto é um até já".

A mãe de Valentina soube da morte da filha pela televisão.