Futuro Hoje

A ventoinha mais luxuosa 

Opinião

Devo já dizer que, por regra, só tenho tido boas experiências com a Dyson. A marca britânica tem excelente design e materiais robustos. Quando ainda não existia em Portugal pedi à empresa, em Espanha, que me emprestasse aquilo a que podemos chamar a primeira ventoinha sem pás.

Foram de eficiência impressionante, a própria representação em Espanha da empresa teve que pedir a outro país uma destas máquinas, tão novas que eram ainda raras, e isto para eu poder fazer um Futuro Hoje, num país onde nem sabiam se iam vender este aparelho. Excelente comunicação.

A partir deste primeiro modelo a Dyson desenvolveu toda uma gama com o mesmo truque, no fundo, a máquina que provoca a corrente de ar, a que tem as pás se quiserem, está escondida na base de cada modelo. Um engenhoso sistema dá ao fluxo de ar a direção e intensidade desejadas. Da simples ventoinha evoluíram para os purificadores de ar.

Estas máquinas são quase indispensáveis em algumas capitais asiáticas com atmosfera muito poluída. Na Europa, onde a qualidade do ar em média tem melhorado nas últimas décadas, nem tanto. Precisamente por isso, a Dyson usa por cá o argumento de que muitas vezes a nossa casa pode estar mais poluída do que o exterior. Tem lógica, a cozinha, os próprios móveis, até os materiais de limpeza e a falta de circulação de ar levam a um acumular de partículas que pode ser prejudicial.

É necessário ter algum espaço…

É necessário ter algum espaço…

Lourenço Medeiros

Para combater esta poluição há vários métodos, se o ar lá fora estiver limpo e agradável podemos sempre abrir as janelas, algo que é o suficiente para fazer tremer os que sofrem mais com alergias de primavera. Há também humidificadores de ar condicionado.

A Dyson fez um purificador e humificador, e eu testei a versão que apenas refresca, modelo Dyson Purifier Cool. Ou seja, o ar circula na máquina e provoca uma ligeira brisa refrescante que serve bem para baixar a temperatura de uma sala. Pelo caminho o ar passou por um depósito de água e por dois filtros para captar quaisquer partículas que transportasse e ainda por luzes ultravioleta capazes de eliminar vírus e bactérias. Esta última, a característica que tem levado ao aumento de vendas deste tipo de aparelho.

A ideia de purificar a casa é agradável para qualquer um, se estivermos também a combater eventuais vírus, melhor. No meu caso, também por ter muitos animais que deixam pelo ar, além dos pêlos, muitas partículas, até o que trazem do jardim.

A versão do purificador que testei tem um pequeno ecrã que nos mostra o que está a fazer, vários parâmetros de qualidade do ar, e ainda ligação a uma aplicação a partir da qual podemos programar o funcionamento e ver o histórico dos tais parâmetros.

Opções para comandar e ser informado não faltam.

Opções para comandar e ser informado não faltam.

Lourenço Medeiros

Os únicos testes que fiz foram baseados nos dados que a própria máquina nos fornece. Não posso chamar a isto um verdadeiro teste de qualidade, que implicaria medições independentes por outros aparelhos. Mas, de facto, os ciclos que mais ou menos poluem a casa correspondiam aos acontecimentos, mais fechado, menos fechado, uma coisa que está ao lume na cozinha é o suficiente para alterar os parâmetros na sala ao lado. Assim, acreditando nos dados fornecidos o purificador é mesmo eficiente, detecta o aumento de poluentes e, com uns minutos de funcionamento, faz mesmo diferença.

O grande contra da máquina que testei é que fazendo tudo o que descrevi de forma eficiente, só refresca. Convenhamos que é uma grande máquina no sentido em que se impõe em qualquer sala, tem pouco de discreto a não ser o barulho que é de facto pouco, mas existe. O design da Dyson pode ser muito bom, mas eu prefiro que os meus electrodomésticos, aqueles que têm que estar à vista para funcionar, sejam discretos. Servir apenas para refrescar é dificilmente tolerável nas épocas menos quentes numa casa portuguesa.

Aliás, as nossas casas são conhecidas pela pouca eficiência térmica e a minha não é excepção. Ou seja, não estando calor, torna-se impraticável tentar purificar o ar, a menos que se esteja disposto alguns sacrifícios e a vestir mais uma boa camada de roupa. Não quero parecer exagerado, não é nenhum frigorífico, mas não dá para estar sentado a ver televisão no inverno ou mesmo nesta primavera com o purificador ligado na mesma sala.

Tudo pode ser controlado pelo telemóvel se o purificador for ligado ao Wi Fi. É a melhor forma de perceber o que se passa com o ar em casa.

Tudo pode ser controlado pelo telemóvel se o purificador for ligado ao Wi Fi. É a melhor forma de perceber o que se passa com o ar em casa.

Lourenço Medeiros

Faz sentido? Deve fazer nalguns locais. É uma máquina demasiado cara, 600€ mais campanha menos campanha, que pelo seu tamanho pode tornar-se desconfortável em casa. Suponho que a solução esteja noutro modelo, que faz quase o mesmo, mas tanto pode aquecer como arrefecer. Mas não os testei, e estes que aquecem e arrefecem até são mais baratos. São mais pequenos e purificam, mas apenas com os filtros, não têm a capacidade da luz ultravioleta, ou seja, menos um argumento para comprar.

De resto, na Dyson não há volta a dar, praticamente todos os seus aparelhos custam mais dinheiro que os seus equivalentes de outras marcas, mas continuam a dar cartas e a vender, e não é só pela imagem de marca. Fruto de investimentos de umas boas dezenas de milhões de euros, o último destes modelos é quase igual ao que testei, mas acrescenta a capacidade de transformar formaldeído, um poluente típico das nossas casas, em água e dióxido de carbono. E isto, com um sistema sólido que nunca precisa de ser mudado, custa 650 Euros. O design, robustez e eficiência pagam-se.

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