Polígrafo

Sérgio Sousa Pinto considera que ainda é "cedo para fazer balanço" sobre a geringonça

O socialista Sérgio Sousa Pinto foi uma das pessoas que lançou mais dúvidas sobre a geringonça, que António Costa fez com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista. Em entrevista ao Polígrafo SIC diz que "ainda não é altura de falar abertamente sobre este período".

Sérgio Sousa Pinto tem sido uma voz nem sempre sintonizada com o partido de António Costa e é também um feroz crítico da ditadura do pensamento único e do politicamente correto.

O socialista foi uma das pessoas que lançou mais dúvidas sobre a geringonça, que António Costa fez com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, e considera, em entrevista ao Polígrafo SIC, que ainda é "cedo para fazer balanço": "Ainda não é altura de falar abertamente sobre este período".

"É cedo para fazer avaliação do que aconteceu, do que não aconteceu, do que poderia ter acontecido. Eu só gostava que ficasse claro que eu desejo ardentemente estar errado."

Para Sérgio Sousa Pinto a solução encontrada, do ponto de vista dos "hábitos democráticos", não foi um "grande avanço": "Chamar a isto 'derrubámos finalmente o muro de Berlim' é uma qualificação quase cómica, porque o derrube do muro de Berlim significa o fim do Bloco de Leste e o fim do Comunismo. Ora, trazer a extrema-esquerda para área do poder não tem nada a ver com o muro de Berlim".

"Algumas cedências foram feitas, mas no essencial António Costa não cedeu, nem nunca eu achei que cedesse."

O deputado considera que a proximidade com o PCP e o Bloco de Esquerda poderá ter produzido consequências culturais de longo prazo no Partido Socialista: "Nos jovens socialistas, estes seis anos são muito tempo".

"Há no Partido Socialista um tipo de fascínio pelo Bloco de Esquerda (...) que se faz sentir sobretudo nas camadas mais jovens do partido", diz Sousa Pinto.


"Nunca fui da direita do PS"


Sérgio Sousa Pinto diz que "passa a vida a ser arrumado como sendo da direita do PS": "É uma coisa que eu acho espantosa. Eu não aceito essa classificação". O socialista entende que só pode ser por causa da geringonça.

"Não sei se com o Bloco e com o PCP é possível dar os passos que me pareceriam necessários para, pelo menos, libertar no país as forças para que ele saia da famosa cepa torta."


"Partido Socialista é a minha casa"

Quando questionado como se sente no PS, se um "desalinhado", um "desiludido" ou um "deslocado", responde sem hesitar: "Bem, eu não me sinto nada disso". Sousa Pinto diz estar no seu partido, "o partido de sempre" e apoiar o Governo do seu partido.

"Evidentemente que as reservas e as críticas que eu faço ao Governo têm mais projeção que as dezenas de diplomas que voto favoravelmente. (...) O Partido Socialista é a minha casa e eu sinto-me muito bem na minha casa."