Polígrafo SIC

Líder do CDS promete partido mais atrativo, mais útil e com melhores resultados

Francisco Rodrigues dos Santos em entrevista ao Polígrafo SIC.

Arranca esta terça-feira, no Centro de Congressos de Lisboa, a 3ª convenção do Movimento Europa e Liberdade, o chamado "encontro de direitas". Rui Rio será estreante e junta-se aos já repentes líderes do CDS, Chega e Iniciativa Liberal. O MEL quer fazer um debate político, mas não partidário, sobre a reconstrução do país.

Questionado sobre o facto de a direita não conseguir ultrapassar a esquerda e ficar pouco acima do Partido Socialista, Francisco Rodrigues dos Santos respondeu que é necessária "uma oposição liderante", uma direita que se aproxime de uma visão de país capaz de recompor o elevador social, com base no esforço e no mérito, capaz de dar às novas gerações mais oportunidades e de cuidar das mais antigas, que combata a corrupção e que apoie as empresas.

O jovem líder dos centristas quer abrir um novo ciclo político e deixar uma marca no partido. Ao longo dos anos, o CDS tem vindo a perder eleitorado e espaço no xadrez político para novas forças políticas. Francisco Rodrigues dos Santos considera, no entanto, que foi eleito e cumpre mandato numa altura desafiante, lembrando que o CDS saía do pior resultado de sempre e que o país atravessa uma pandemia há mais de um ano, impedindo-o de ser mais combativo.

"Foram contingências fortes. Quero abrir um novo ciclo, deixar a minha marca no CDS", afirmou.

É agora no pós-pandemia que quer reerguer o partido, com a construção de um novo Partido Popular, de modo a "moldar o CDS às necessidades dos portugueses", renovando o "espírito de responder aos problemas". Fala numa direita moderada, de inspiração cristã, que quer defender o interior, a coesão territorial, a maior liberdade de escolhas na educação e a iniciativa privada.

Confrontado com as críticas da oposição interna, o líder dos centristas disse que a porta do seu gabinete está sempre aberta e que, se houvesse mais diálogo, alguns "evitariam fazer figura de desinformados". "Não se pode fazer as mesmas escolhas e esperar resultados diferentes, cabemos todos no CDS. Os de antigamente e os de agora."

Algumas das críticas internas partiram das opções de Francisco dos Santos para as autárquicas, alegando que o partido se cola ao PSD, ignorando indicações regionais. O centrista garante que o CDS vai conseguir alcançar melhores resultados do que nas autárquicas em 2017, sem avançar com números concretos.

As coligações CDS-PSD são já habituais nas eleições autárquicas e legislativas. No entanto, novas forças políticas, como a Iniciativa Liberal e o Chega, têm vindo a ganhar terreno nos últimos meses. Francisco Rodrigues dos Santos não fecha a porta a parcerias com o partido de André Ventura, admitindo que são precisos estudar cenários, patrimónios de valores e cadernos de encargo.

"Depende sempre da circunstância. Neste momento, vou reforçar o peso eleitoral do CDS para conseguir governar com o parceiro tradicional, o PSD", afirmou.

É nesta linha de pensamento que considera importante que a direita se mobilize, que dialogue e que identifique a esquerda como principal inimiga das liberdades, referindo que plataformas como o MEL podem ser úteis para apurar convergências.

Autárquicas: Rui Moreira e Suzana Garcia

Numa resposta breve, Francisco Rodrigues dos Santos voltou a salientar que o facto de Rui Moreira ir a julgamento no caso Selminho não o "atrapalha de maneira nenhuma" e que a Justiça reconhecerá a inocência do autarca do Porto.

Já em relação a Suzana Garcia, candidata social-democrata à Câmara da Amadora apoiada pelo CDS, o líder centrista admite discordar e não subscrever algumas afirmações da advogada, mas apoia o programa eleitoral, a proposta política para o concelho.