Saúde e Bem-estar

Consumo de canábis tem efeito na quantidade de sedação necessária para exames médicos

JASON REDMOND

Estudo revela que os consumidores regulares de canábis podem precisar de uma quantidade duas vezes maior de sedação.

O uso regular de canábis tem um efeito significativo na quantidade de sedação necessária para realizar um procedimento médico, revela esta segunda-feira um estudo do "The Journal of the American Osteopathic Association".

Com o "aumento contínuo da legalização e uso da canábis, o campo da anastesia e sedação precisa de mais estudos e com maior profundidade", justificaram os autores, que examinaram o registo médico de 250 pacientes envolvidos em exames endoscópicos entre janeiro de 2016 e dezembro de 2017.

Ao comparar os pacientes que consumiam e os que não consumiam canábis, os investigadores descobriram que os que utilizavam a droga regularmente necessitaram de 14% mais de Fentanil, 20% mais de Midazolam e 220% mais de Propofol - três anestésicos comumente utilizados - para alcançar a sedação ideal para procedimentos de rotina, incluindo colonoscopias.

Neste estudo não foram analisados os efeitos coleterais da quantidade de sedação utilizada, mas os investigadores alertam que "quanto maior a dose administrada, maiores as hipóteses de efeitos adversos".

Por isso, os autores consideram que questionar os pacientes sobre o consumo de canábis "pode ser uma ferramenta importante para planear o atendimento e avaliar as necessidades de medicação e possíveis riscos durante os procedimentos".

Roderic Eckenhoff, professor de anestesia da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, considera que este é um estudo "piloto que talvez alguém devesse pegar e fazer uma análise mais completa". Em declarações à CNN, acrescentou ainda que era necessário comparar os efeitos das quantidades de sedação.

Em Portugal, o Parlamento chumbou a proposta de lei que legalizava a canábis para uso recreativo, mas aprovou a utilização da droga para fins medicinais em forma medicamentosa.