Saúde e Bem-estar

Manifestação contra inseminação artificial para todas juntou mais de 74 mil em Paris

Christian Hartmann

O cortejo partiu às 14:00 (menos uma hora em Lisboa).

A manifestação contra a procriação medicamente assistida para todas as mulheres, incluindo lésbicas e solteiras, juntou hoje 74.500 pessoas em Paris, segundo uma contagem da consultora Occurence para vários meios franceses.

A organização do desfile, um coletivo de 21 associações de católicos, evangélicos e famílias numerosas, tinha estimado em 600.000 o número de manifestantes.

O número ficou todavia aquém da mobilização em 2012-2013 contra a lei que autorizou o casamento homossexual, que chegou a juntar 340.000 pessoas, segundo a polícia, e 1,4 milhões, segundo os organizadores.

"Liberdade, igualdade, paternidade" foram as palavras de ordem dos manifestantes contra o alargamento da procriação medicamente assistida (PMA) num protesto designado "Manif pour tous" (manifestação por todos).

O cortejo partiu às 14:00 (menos uma hora em Lisboa) dos jardins do Luxemburgo e foi até Montparnasse, mas as associações a favor desta mudança política marcaram na véspera o percurso com frases como "PMA para todas" ou a "Manif pour tous" é homofóbica.

A lei que abre a procriação medicamente assistida a todas as mulheres está a ser discutida na Assembleia Nacional e deverá ser aprovada até ao final do próximo verão, já que o Governo detém a maioria parlamentar.

Além da abertura da inseminação artificial, esta nova lei vai permitir ainda às mulheres congelar os seus óvulos - algo até agora apenas permitido às mulheres com problemas médicos -, com todos os procedimentos a serem cobertos pela Segurança Social.

Para além dos procedimentos médicos, esta nova lei da bioética vai permitir que no certificado de nascença passem a figurar duas mulheres, dando ainda a possibilidade às crianças nascidas de um dador de terem acesso a certos dados como as suas motivações ou as suas particularidades médicas, ou mesmo, caso o dador esteja de acordo, à sua identidade quando forem maiores de idade.

Lusa