Saúde e Bem-estar

Erradicado mais um tipo do vírus da poliomielite

Administração da vacina contra a poliomielite nas Filipinas.

Eloisa Lopez/ Reuters

Entre 1950 e 1975, todos os anos, em média, cerca de 300 crianças adoeciam com poliomielite e cerca de 30 morriam em Portugal.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declara hoje a erradicação de um dos tipos de vírus da poliomielite, um dia histórico, segundo a Direção-Geral de Saúde, no combate a esta doença contagiosa que pode causar a morte.

“Estamos muito satisfeitos por hoje, Dia Mundial da Poliomielite, poder anunciar juntamente com a Organização Mundial da Saúde [OMS] que o vírus pólio 3 também já está erradicado”, tal como já tinha acontecido como o vírus denominado pólio 2, disse à agência Lusa a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

Atualmente, a poliomielite apenas está presente em dois países do mundo: Afeganistão e Paquistão, onde há algumas dezenas de casos causados pelo vírus pólio 1, o único dos três tipos de vírus que falta erradicar.

“São países profundamente pobres, com conflitos há muitos anos e são países extensos, remotos, onde não é fácil chegar ajuda externa”, explicou.

Graça Freitas salientou que “quando estas duas bolsas de vírus pólio 1 forem erradicadas, pode então dizer-se que deixou de haver pólio no planeta”.

O feito hoje anunciado é “uma conquista muito grande da humanidade” na luta contra uma doença que “matava milhares e milhares de crianças em todo o mundo e deixava milhares e milhares com paralisia para o resto da vida”.

“É um combate por passos e hoje é de facto um passo histórico porque ficaremos com dois dos três vírus da pólio erradicados em todo o mundo”, vincou.

iretora-geral da Saúde, Graça Freitas

iretora-geral da Saúde, Graça Freitas

Agora “todas as atenções estão viradas para o Afeganistão e para o Paquistão para se perceber se vai ser possível [erradicar a doença do planeta]. Estamos em crer que sim, é uma questão de tempo”, considerou.

Segundo Graça Freitas, o que não pode agora acontecer é os restantes países do mundo descurarem as medidas de combate à doença, que tem como principal arma a vacinação.

“É um combate organizado à escala mundial com muitos, muitos e muitos milhões de euros investidos em vacinação e na logística dessa vacinação” e “nenhum país pode descurar a vacinação porque se não tapamos de um lado e destapamos do outro”, defendeu.

“Mesmo não tendo a doença, temos de continuar a vacinar, a vacinar, a vacinar, até que um dia possamos dizer que desapareceu como aconteceu com a varíola, que em 1980 foi dada como erradicada em todo o mundo”, defendeu.

Recordando à Lusa como começou a luta contra a pólio, Graça Freitas contou que um dos grandes impulsionadores foram os Estados Unidos na década de 50 do século passado, altura em que “a poliomielite era a doença que mais assustava os pais e as pessoas em geral, porque afetava crianças muito pequenas e causava mortes e paralisia infantil”.

O Presidente norte-americano Franklin Roosevelt, que tinha sido vítima da doença e estava numa cadeira de rodas, decidiu fazer um grande investimento. “Foi a primeira vez que se fizeram campanhas enormes na televisão para recolha de fundos” para a investigação e descobriram-se duas vacinas na década de 50 que foram introduzidas à escala mundial.

Em Portugal, o Programa Nacional de Vacinação fez “uma campanha enorme” em 1965 que permitiu vacinar, em cerca de um ano, três milhões de crianças menores de nove anos, recordou.

“Foram das campanhas mais inteligentes feitas em Portugal porque fez com que no espaço de um ano uma doença que era assustadora para toda a gente praticamente desaparecesse graças à ação de uma vacina”, disse Graça Freitas.

Em Portugal, a vacinação fez tanto efeito que o último caso de pólio selvagem aconteceu em 1986, disse, contando que a doença foi eliminada na Europa em 2002.

Lusa

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