Saúde e Bem-estar

Espanha pede que grávidas e crianças não comam atum, mas recomendação "vem tarde"

Marko Djurica

Especialista pede mais regulação sobre “desreguladores endócrinos” que estão presentes “em tudo”.

O Ministério da Saúde espanhol recomendou há cerca de duas semanas que crianças e grávidas suspendam o consumo de atum e peixe-espada devido à presença de níveis elevados de mercúrio nestes alimentos. Uma recomendação que o especialista Nicolás Olea diz ter chegado com 20 anos de atraso.

Nicolás, professor catedrático na faculdade de Medicina da Universidade de Granada, estuda há duas décadas o impacto dos chamados desreguladores endócrinos - substâncias químicas que alteram o equilíbrio hormonal. Um deles é o mercúrio, presente em grandes quantidades no atum.

Ao El País, o especialista explica que existem produtos cujo nível de toxicidade “nós temos consciência”: são os CMR - cancerígenos, mutagénicos e reprotóxicos, isto é, tóxicos para a reprodução - mas que a sua exposição está “muito regulada”. Ainda assim, existem produtos que contêm desreguladores endócrinos que “afetam e alteram o sistema endócrino” e aos quais estamos expostos “diariamente”.

Nicolás aponta alguns. São eles pesticidas e herbicidas utilizados na agricultura, embalagens de plástico, papel reciclado e cartão, cosméticos, produtos de higiene, entre outros. Até os talões de compras de papel térmico são feitos de Bisfenol A, um disruptor endócrino. “Se lhes tocarmos com as mãos molhadas e depois formos comer, acontece uma exposição oral e dérmica”. O Bisfenol A também pode ser encontrado em plásticos como o policarbonato, utilizado em embalagens de sumos, leite e água.

Os desreguladores endócrinos afetam principalmente as mulheres e as crianças. Nas primeiras há uma relação com maiores casos de cancro de mama, endometriose e infertilidade. Nas segundas pode causar défice de atenção e hiperatividade, explica o especialista, que pede uma maior regulação.