Saúde e Bem-estar

EUA testam vacina "universal" contra a gripe que não é preciso levar todos os anos

Karoly Arvai

As vacinas que anualmente são administradas a milhões de pessoas para prevenir o vírus tem várias fragilidades, desde logo porque não garantem eficácia da mesma forma, todos os anos.

Eric Gaillard

CNN

Michael Sonn é um dos poucos pacientes que já recebeu a vacina que quer revolucionar a prevenção da gripe no mundo.

"Mesmo num ano bom, a eficácia da vacina atual não vai além de cerca de 60%. Num ano mau, chega a ser aos 10%", afirma o médico Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infeciosas dos EUA (NIAID) à CNN. "E há uma razão para isso!"

Isto porque o vírus está sempre a mudar. As estirpes não são iguais de ano para ano e podem dar lugar a novas formas inéditas, que fintam os médicos e os fármacos.

Vacina "cone de gelado"

Todos os anos, a vacina contra a gripe muda ao sabor das estirpes mais prevalentes na altura, mas os médicos querem criar uma vacina universal que, teoricamente, cubra todas as estirpes do vírus, na chamada abordagem de "cone de gelado" que serve qualquer sabor, ao gosto do cliente e em qualquer momento.

A ideia é a de uma gelataria que apresenta uma grande variedade de sabores de gelado, servidos todos nos mesmos cones de baunilha.

As vacinas atuais visam os sabores, mas os paladares mudam todos os anos. O que os médicos querem agora é que vacina contra a gripe seja o cone, que permita receber todos os “sabores”.

A vacina universal começou a ser administrada no ano passado, em alguns pacientes, todos voluntários.

“Eu tenho uma relação pessoal com a gripe. O meu avô ficou órfão após a epidemia de gripe em Abril de 1919”, confessou Michael Sonn que se voluntariou para receber a vacina teste da gripe.

Fotografia de 1918 disponibilizada pela Biblioteca do Congresso dos EUA mostra enfermeiras da Cruz Vermelha Americana a vacinar pacientes no Auditório Municipal de Oakland, usado como hospital temporário durante a pandemia de gripe de 1918-1919

Fotografia de 1918 disponibilizada pela Biblioteca do Congresso dos EUA mostra enfermeiras da Cruz Vermelha Americana a vacinar pacientes no Auditório Municipal de Oakland, usado como hospital temporário durante a pandemia de gripe de 1918-1919

Edward A. "Doc" Rogers, Reuters

A pandemia do vírus H1N1 infetou um terço da população mundial e matou 50 milhões de pessoas no início do século XX. Desde então, já se registaram pandemias em 1957-1958; em 1968 e, mais recentemente, em 2009, que deixaram algumas lições à comunidade médica.

A prevenção é essencial para um vírus que, se encontrar condições, evolui para pandemia de onde nasce quase sempre uma nova estirpe. E se a população tiver pouca imunidade, pode espalhar-se e matar a grande velocidade.

Vacinar representa, por isso imunidade, pessoal e da comunidade, uma vez que o contágio é fácil. Os médicos querem, por isso, aumentar enormemente a imunidade da população para conter os efeitos do vírus da gripe.

O problema é que há mais de uma década que a comunidade científica tenta descobrir a vacina universal para a gripe e, o pior, é que será preciso, pelo menos, mais outra década para que a vacina “cone de gelado” chegue às “gelatarias” de todo o mundo.