Saúde e Bem-estar

Descoberto novo benefício do medicamento que reduz risco de cancro da mama 

Yannis Behrakis

Não só reduz para metade o risco de cancro da mama durante a toma, como prolonga os benefícios durante vários anos.

O anastrozol, medicamento que bloqueia a produção de estrogénio e reduz para metade o risco de cancro na mama, continua a ter efeito anos depois de ter sido administrado, revela uma pesquisa publicada na quinta-feira no site de saúde "The Lancet".

Várias pesquisas anteriores já tinham validado a eficácia do medicamento - que só pode ser administrado depois da menopausa devido ao bloqueio do estrotégio - na redução do risco do cancro da mama. O que não se sabia é que, mesmo depois da interrupção da toma, o fármaco continua a ser útil durante vários anos.

O tratamento com anastrozol já é muito utilizado em alguns tipos de cancro da mama, mas agora as pesquisas estão mais focadas na prevenção. Daí, vários investigadores terem acompanhado o efeito do medicamento em mais de três mil mulheres desde 2003 até 2012, num estudo onde foi comparada a atuação do anastrozol e do placebo em mulheres com cancro da mama.

Os investigadores concluíram que 49% das mulheres que tomam o fármaco têm menor probabilidade de desenvolver cancros da mama, mesmo sete anos depois de pararem o tratamento.

Nos tipos de cancro da mama positivo para recetores de estrogénio invasivo, o risco foi reduzido em 54%, com um efeito significativo contínuo no período após o tratamento. Já em mulheres que se sabe serem positivas para o recetor desta hormona, houve uma redução de 59%.

Em suma, esta análise identificou uma redução contínua significativa do cancro da mama após a toma de anastrozol no período de pós-tratamento.

O que é Anastrozol e para que é utilizado?

A Anastrozol é um inibidor, ou seja, inibe certas enzimas presentes no organismo chamadas aromatases, que afetam a produção de certas hormonas sexuais femininas, tais como o estrogénio, no organismo.

Ao inibir essas enzimas, o Anastrozol , leva a uma redução das quantidades de estrogénio presentes no organismo. É, por isso, utilizado no tratamento do cancro da mama em estadios avançados em mulheres que já passaram pela menopausa, segundo a informação disponibilizada pelo Infarmed.

Está disponível para mulheres com alto risco?

Desde 2017 que mulheres pós-menopáusicas com alto risco de desenvolver um cancro da mama, devido ao histórico familiar e a outros fatores de risco, podem o medicamento. De acordo com o estudo, o anastrozol parece ser capaz de "matar" algumas células que começaram a "jornada" para se tornar num cancro.

Segundo um dos investigadores responsáveis pelo estudo, numa entrevista à BBC, atualmente apenas cerca de 10% dessas mulheres aderem a este tratamento e, por isso, a equipa considera que a percentagem devia ser "substancialmente maior".

Contudo, os médicos ainda têm algum receio do possível aparecimento de efeitos secundários graves, como a rigidez nas articulações, afrontamentos e a secura vaginal.