Saúde e Bem-estar

Estudo sugere que nicotina contribui para cancro do pulmão formar metástases no cérebro

Brian Snyder

Investigadores da Faculdade de Medicina de Wake Forest, nos EUA, examinaram 281 doentes com cancro do pulmão.

Cientistas sugerem num estudo publicado esta quinta-feira que a nicotina, substância não carcinogénea presente no tabaco, contribui para que o cancro no pulmão se dissemine no cérebro, formando metástases.

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina de Wake Forest, nos Estados Unidos, examinou 281 doentes com cancro do pulmão e descobriu que os fumadores de cigarros - cujo número não é indicado - tinham uma incidência significativamente mais alta de cancro do cérebro.

Ao usarem o rato como modelo numa experiência de laboratório, a equipa verificou que a nicotina aumenta a formação de metástases no cérebro, ao atravessar a barreira hematoencefálica alterando os microgliócitos, células imunes do Sistema Nervoso Central.

Os cientistas concluíram na mesma experiência que a substância natural partenolídeo bloqueia as metástases cerebrais induzidas nos ratos pela nicotina.

O partenolídeo existe na matricária, planta herbácea originária do sudoeste da Europa que se encontra frequentemente nas margens dos rios e rochedos e à qual são apontadas propriedades que permitem diminuir a frequência, intensidade e duração das enxaquecas.

Os autores do estudo consideram que o uso desta substância natural pode vir a ser promissor para tratar com mais eficácia e mesmo evitar a formação de metástases no cérebro, em particular em doentes com cancro do pulmão que fumaram ou continuam a fumar.

Atualmente, as metástases no cérebro nestes doentes são tratadas com radioterapia.

Os resultados do estudo foram publicados na revista médica Journal of Experimental Medicine e divulgados em comunicado pelo centro médico e académico Wake Forest Baptist, ao qual pertence a Faculdade de Medicina de Wake Forest.