Saúde e Bem-estar

Análise ao sangue pode vir a detetar mais de 50 tipos de cancro de forma precoce

David Gray

Autoridades de saúde britânicas esperam que detete sinais precoces em cancros difíceis de diagnosticar, como o dos ovários e do pâncreas.

Uma simples análise ao sangue pode vir a detetar mais de 50 tipos de cancro de forma precoce, em fase inicial ou até anos antes de um normal diagnóstico.

O teste chama-se Galleri e está a ser estudado e desenvolvido pelo Serviço Nacional de Saúde britânico. Até agora, os resultados de quase 7 mil participantes, com cancros em diferentes fases de desenvolvimento, são encorajadores.

As previsões apontam para que os cancros sejam identificados de forma rápida, que o tratamento seja imediato e salve vidas.

Os investigadores esperam que seja especialmente útil para detetar sinais precoces em cancros difíceis de diagnosticar e com taxas de sobrevivência mais baixas, como os cancros dos ovários e do pâncreas. Pode também identificar em que local do corpo está a desenvolver-se.

"Este teste promissor pode revolucionar a oncologia, ao ajudar milhares de pessoas a terem um tratamento bem-sucedido", disse o diretor do Serviço Nacional de Saúde britânico, Simon Stevens, ao The Guardian.

As autoridades de saúde estimam que o Galleri seja testado em mais de 165 mil pessoas em Inglaterra a partir de meados do próximo ano. Os voluntários, com idades entre os 50 e os 79 anos, vão ser escolhidos de forma aleatória. 140 mil, a maioria, são pessoas sem sintomas, que têm de fazer uma análise ao sangue todos os anos durante três anos. Os restantes voluntários são identificados por médicos como possíveis doentes oncológicos e que, além da análise ao sangue, têm de fazer mais exames.

Os médicos britânicos acreditam que vai ajudar a reduzir o número de pessoas que morrem com cancro no Reino Unido. Todos os anos são cerca de 200 mil, muitas delas diagnosticadas demasiado tarde.

Se o teste mostrar efeitos daqui a três anos, Inglaterra vai recrutar um milhão de pessoas para um estudo ainda maior nos anos seguintes. Se provar que é eficaz, esta análise que está a ser desenvolvida por uma empresa norte-americana, a Grail, pode estar disponível, como rotina, até ao final desta década.

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