Saúde e Bem-estar

"Queria tanto ver as minhas filhas crescerem. Eu não quero morrer"

O testemunho de uma doente oncológica a quem foi negado o acesso a um medicamento inovador.

O Infarmed já recusou duas vezes a Cátia Damasceno, de 39 anos, um medicamento inovador para o tratamento de cancro. O Olaparib oferece mais qualidade de vida, mas não é financiado pelo Serviço Nacional de Saúde e carece de uma autorização de utilização excecional. Quem tiver dinheiro, tem acesso ao fármaco no setor privado.

Cátia é assistente operacional numa escola de Vilar Formoso e, até 2019, não imaginava o calvário em que se tornaria a sua vida. Depois de descobrir que estava doente, seguiram-se tratamentos regulares de quimioterapia e radioterapia, sessões que a deixavam debilitada. Mas o medicamento inovador podia fazer a diferença.

"O medicamento dava-me uma qualidade de vida melhor. Venho muito debilitada...Não posso estar com as minhas filhas. Fiz o tratamento há 21 dias e só hoje é que eu me sinto melhor, andar e levantar-me", conta à SIC.

A assistente operacional é seguida no Hospital Universitário de Coimbra. O médico assistente já fez duas vezes o pedido do Olaparib ao Infarmed mas foram sempre indeferidos.

"Se não for este medicamento, eu não sei por mais quanto tempo vou andar por cá. Queria tanto ver as minhas filhas crescerem e acima de tudo não quero morrer. É o que mais me assusta neste momento. As minhas filhas não estão a conseguir lidar com isto"

Tal como Cátia, também a farmacêutica Tatiana Bond e Susana Vilaça aguardam pelo mesmo deferimento dos mesmos pedidos ao Infarmed.

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    País

    Chamam-lhes “funcionários” porque funcionam. A expressão até parece sugerir que eles são os únicos que “funcionam”, dentro de uma escola. Acalmem-se os tolos. Significa apenas que os “assistentes operacionais”, ou “auxiliares de ação educativa”, títulos mais pomposos do que “contínuos” – expressão que estimo muito - são pau para toda a colher.

    Opinião

    Rui Correia