Saúde e Bem-estar

Porque é importante falar sobre a Síndrome do Choque Tóxico e como está associada aos tampões

Porque é importante falar sobre a Síndrome do Choque Tóxico e como está associada aos tampões
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Maura Higgins, uma modelo de 31 anos, esqueceu-se de tirar o tampão higiénico durante três meses. Lauren Wasser, de 24 anos, esteve em risco de vida e teve de amputar a perna, devido à utilização de um tampão. Maëlle, uma jovem de 17 anos, morreu devido ao Síndrome do Choque Tóxico.

A Síndrome do Choque Tóxico (SCT) não é uma doença que ataca exclusivamente mulheres. Portanto, este artigo não se destina apenas a leitoras, visto que a SCT não escolhe género ou idade. É preciso desmistificar que, apesar de estar muitas vezes associada à utilização de tampões higiénicos, a doença pode ser contraída a partir de uma simples ferida na pele.

De acordo com a CUF, 50% dos casos de SCT ocorrem em múltiplas situações e a síndrome poderá afetar qualquer pessoa. Os outros 50% estão , de facto, ligados à utilização de tampões higiénicos, utilizados durante a menstruação.

Afinal, o que é Síndrome do Choque Tóxico?

A SCT é rara, mas pode progredir rapidamente e ser, eventualmente, fatal em alguns casos. No entanto, se for diagnosticada e tratada precocemente, a maioria das pessoas recupera totalmente.

Ainda assim, é uma doença que se disfarça de gripe, intoxicação alimentar ou gastroenterite. Portanto, devemos estar atentos aos sintomas e consultar um médico ou especialista.

A doença é causada por duas bactérias que estão presentes na pele, axilas, fossas nasais e na vagina. Qualquer pessoa considerada saudável é portadora destas bactérias até se ‘virarem contra nós’ ao reagirem a uma simples infeção. E como reagem? Produzindo toxinas que entram na circulação sanguínea em grandes quantidades, provocando uma doença grave e de evolução rápida.

Em que situações posso contrair Síndrome do Choque Tóxico?

  • Cirurgias;
  • Feridas na pele;
  • Queimaduras;
  • Tamponamento nasal para tratar hemorragias;
  • Condições inflamatórias da traqueia, dos seios perinasais, dos pulmões ou dos ossos e medula óssea;
  • Nas mulheres, esta síndrome pode estar associada a procedimentos ginecológicos, infeções vaginais ou ao uso de métodos contracetivos de barreira.

A doença é rara, mas são várias as mulheres que se esquecem de retirar o tampão ou excedem o tempo de utilização aconselhado deste material durante a menstruação. Para além disso, utilizar tampões superabsorventes quando o fluxo menstrual é baixo é também alarmante, porque facilita a infeção local e a passagem de bactérias para o útero e a corrente sanguínea.

A que sintomas devo estar atento?

  • Febre alta e súbita;
  • Hipotensão;
  • Manchas cutâneas generalizadas;
  • Níveis de ureia ou creatinina elevados ou diminuição do volume de urina;
  • Vómitos e diarreia;
  • Desorientação.

Ao ler os sintomas, podem reportar a múltiplas doenças, mas neste caso, o quadro inicial evolui rapidamente e pode levar a um choque sético, com falência de órgãos como rins, o sistema nervoso central e o sistema respiratório.

Os doentes devem ser hospitalizados imediatamente já que podem mesmo correr risco de vida.

Para o controlo da infeção são habitualmente administrados antibióticos intravenosos. Em caso de elevada gravidade, pode ser necessário o internamento em cuidados intensivos e os tratamentos dependem dos órgãos afetados.

Os casos que chegaram aos meios de comunicação social

O relato mais recente foi da modelo irlandesa, Maura Higgins, que partilhou a sua experiência durante uma entrevista. Ao Shopping da ITV com Keith Lemon revelou que estava muito doente e não percebia porquê. Até que o médico encontrou um tampão no colo do útero que tinha ficado esquecido durante três meses.

Maura sublinha que “as raparigas podem não notar, se saírem à noite e ficarem muito bêbedas e esquecerem-se, essas coisas realmente acontecem e as pessoas não falam sobre isso”.

Já a modelo Lauren Wasser, que desfila para a Louis Vuitton, passou por duas complicações. Aos 24 anos, correu risco de vida, sofreu um ataque cardíaco e passou vários dias em coma induzido. A perna direita teve de ser amputada devido à Síndrome do Choque Tóxico. Anos mais tarde, devido a fortes dores e complicações, a perna esquerda também foi amputada.

Há dois anos, uma jovem de 17 anos morreu, vítima da Síndrome de Choque Tóxico provocada por um tampão. Maëlle tinha sido diagnosticada com gastroenterite. No entanto, quando o seu quadro clínico piorou, descobriram que sofria de SCT, mas já era tarde demais.

Como posso prevenir?

  • Desinfetar feridas e queimaduras;
  • Manter feridas cirúrgicas limpas e vigiadas;
  • Trocar tampões com frequência (ao fim de quatro a oito horas);
  • Alterne entre tampões e pensos higiénicos;
  • Lavar as mãos ao inserir e retirar um tampão.
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