Saúde e Bem-estar

Estreptococos A: a infeção bacteriana que já fez vítimas no Reino Unido e França

Estreptococos A: a infeção bacteriana que já fez vítimas no Reino Unido e França
Canva

As autoridades de Saúde de França alertam para um aumento das infeções invasivas por estreptococos do grupo A, que vitimaram duas crianças e um adulto no país. No Reino Unido, um surto desta bactéria já fez nove mortos.

A bactéria estreptococos do grupo A pode causar, entre outras doenças com diferentes níveis de gravidade, amigdalite, escarlatina e pneumonia. As autoridades de Saúde de França e do Reino Unido estão alerta. Na sequência do aumento das infeções invasivas, ambos os países têm já registo de vítimas mortais.

Em comunicado, a Sociedade Francesa de Medicina de Urgência (SFMU) indicou que estão a ser diagnosticadas infeções "em número superior ao habitual" nos últimos 15 dias.

No total, oito crianças sem fatores de risco tiveram de ser hospitalizadas devido a essas infeções, duas das quais morreram. No caso dos adultos, de três doentes internados, um morreu.

Os casos ocorreram em diferentes regiões da metade sul do país (Occitânia, Nova Aquitânia e Auvérnia-Ródano-Alpes) e não estão ligados entre si.

Segundo o comunicado da SFMU, que cita investigações da Agência Nacional de Saúde Pública, as infeções com esta bactéria também não se devem ao surgimento de uma estirpe mais virulenta, tratando-se, sim, de um "aumento pouco habitual do número de casos relacionados com diferentes estirpes".

Isso está a traduzir-se numa "intensificação dos quadros graves e dos óbitos", pelo que a SFMU pediu aos profissionais de saúde para aumentarem a vigilância.

Em paralelo, a Agência de Saúde Pública de França indicou hoje que os números de casos de gripe continuam a aumentar e que 9 das 13 de regiões da França metropolitana se encontram já em situação de epidemia - as restantes quatro permanecem em estado de pré-epidemia.

No seu último boletim de dados sobre a gripe, alerta-se também para um "forte aumento" das hospitalizações, especialmente entre a população com mais de 65 anos.

Governo britânico garante ter antibióticos para combater surto

França não é caso único. No Reino Unido, o primeiro-ministro britânico veio a público, esta quarta-feira, garantir que tem antibióticos suficientes para combater as infeções causadas pela bactéria Streptococcus A, afirmando porém que a morte de pelo menos nove crianças desde setembro não está associada a uma nova variante.

"Este ano estamos a assistir a um elevado número de casos de 'strep A" em comparação com o habitual", admitiu Rishi Sunak, durante o debate semanal no parlamento, precisando que a Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido (UKHSA, na sigla inglesa) já concluiu que "não existe uma nova variante" mais perigosa.

Sunak assegurou que a doença "pode ser tratada adequadamente com antibióticos" e garantiu que "não há atualmente escassez de medicamentos disponíveis".

"O mais importante que os pais devem fazer é estarem atentos aos sintomas e obter o tratamento que está disponível", vincou.

As autoridades sanitárias da Irlanda do Norte confirmaram esta terça-feira a morte de uma menina de cinco anos de idade devido à bactéria estreptococo do grupo A, também conhecida por Streptococcus pyogenes, elevando para nove o número de mortes no Reino Unido desde setembro.

Este último caso foi detetado numa escola primária em Belfast na semana passada. De acordo com os meios de comunicação locais, uma criança foi hospitalizada e outra teve alta após terem sido infetadas.

Esta bactéria é normalmente encontrada na garganta e na pele e pode ser transportada sem sintomas, mas em casos isolados pode entrar na corrente sanguínea e desenvolver complicações agudas, como amigdalite, faringite, escarlatina e pneumonia.

O Reino Unido registou 851 casos desta infeção bacteriana na semana entre 14 e 20 de novembro, um número bastante expressivo quando comparado com uma média de 186 casos nos anos anteriores.

A UKHSA atribuiu estes valores a um "numero elevado de bactéria em circulação e contacto social", sobretudo após as restrições sociais dos últimos dois anos relacionadas com a pandemia da doença covid-19.

Últimas Notícias