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Endocrinologistas alertam

"Estas práticas algo abusivas" têm sido levadas a cabo por profissionais não médicos.

Médicos endocrinologistas e geriatras alertaram esta quinta-feira para os riscos para a saúde do "uso abusivo" de suplementos hormonais, desaconselhando o uso destes tratamentos com "intuitos meramente estéticos" ou para alívio de sintomas inespecíficos sem um diagnóstico concreto.

O alerta sobre o uso de terapêuticas hormonais no âmbito da chamada 'Medicina Anti-Ageing' (antienvelhecimento) partiu da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo (SPEDM), do Núcleo de Estudos de Geriatria da Sociedade Portuguesa de Medicina Interno e dos colégios da especialidade de Endocrinologia e Nutrição e de Geriatria, que redigiram um documento conjunto com recomendações e alertas sobre esta situação.

Em declarações à agência Lusa, Helder Simões, da direção da SPEDM, afirmou que os médicos endocrinologistas têm constatado "um crescente número de casos de doentes medicados de forma abusiva com suplementos hormonais", alguns casos ao abrigo da medicina designada antienvelhecimento, mas não só.

Daí surgiu a necessidade destes organismos de fazerem um documento conjunto que pretende "alertar as pessoas para não aderirem a suplementos hormonais sem um diagnóstico clínico concreto ou com alegados intuitos meramente estéticos", explicou o especialista.

"É sabido que as terapêuticas hormonais no contexto de substituição de défices hormonais que estejam comprovados podem melhorar muito a qualidade de vida. Porém, se forem utilizadas de forma abusiva podem colocar em risco a saúde e nem sempre são alcançados os objetivos que são apregoados por alguns movimentos pseudocientíficos", advertiu.

Segundo o endocrinologista, "estas práticas algo abusivas" têm sido levadas a cabo por profissionais não médicos, como 'personal trainers', naturopatas, osteopatas, mas também por médicos sem formação reconhecida na área da endocrinologia.

Entre as sustâncias mais utilizadas estão a hormona do crescimento, estrogénios, a testosterona e a DHEA (Dehidroepiandrosterona).

Hélder Simões deu o exemplo da testosterona em que se regista "um grande abuso do uso inadvertido" por uma população mais jovem, mas também pela população idosa para tentar aliviar alguns sintomas inespecíficos relacionados com o envelhecimento e com doenças crónicas.

A utilização de testosterona por "preocupações estéticas e em ginásios está até a fazer com que se esgote para aqueles doentes que realmente precisam", alertou, sublinhando que é uma situação recorrente e que preocupa os médicos.

O médico endocrinologista vincou que "as pessoas devem ter a noção que estão a correr alguns riscos" ao consumir estes produtos.

Deu como exemplo a terapêutica hormonal de substituição nas mulheres na menopausa: "pode trazer muitos benefícios, como o alívio dos afrontamentos, melhorar a densidade óssea, reduzir fraturas, mas se for usada de forma inadequada em pessoas de maior risco pode aumentar o número de eventos tromboembólicos e até potenciar o risco de cancro da mama nalguns casos".

Os especialistas recomendam às pessoas que suspeitam que possam ter uma disfunção hormonal que consultem um endocrinologista e as pessoas idosas com sintomas relacionados com o envelhecimento, com estados de fragilidade ou com múltiplas patologias sejam avaliados por médicos geriatras.

Pediu ainda ás pessoas para não embarcarem em "algumas práticas mais mercantilistas ou a roçar a charlatanice.

Lusa

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