As Histórias

Ciclista sempre, mesmo depois de um cancro no intestino

22.10.2019 11:30

Pouco tempo antes de lhe ter sido diagnosticado um tumor maligno no intestino, Rui Branco, apaixonado pelo ciclismo, tinha comprado uma bicicleta de estrada. Sempre que entrava na garagem tinha de afastar o pensamento de que poderia não chegar a usá-la.

No mesmo dia em que completou 47 anos, Rui Branco, engenheiro mecânico, soube que tinha um tumor no intestino. “Foi a prenda que recebi”, ironiza.

Desportista, habituado a fazer longos percursos de bicicleta, ficou “surpreendido” com a notícia, já que se sentia bem e não tinha praticamente sintomas.

Apenas por prevenção e tendo em conta queixas aparentemente sem importância, um médico amigo aconselhara-o a fazer uma colonoscopia. O resultado não foi o esperado e acusou um tumor no intestino.

Era necessário fazer uma biópsia para determinar a natureza do tumor e o resultado foi novamente o que menos se desejava. Era invasivo, a cirurgia era imprescindível.

“Partilhei a notícia com algumas pessoas e o facto de não me ter fechado, ajudou-me”, conta. “Muitas pessoas a quem contava o que me estava a acontecer, davam-me vários exemplos que conheciam e cujo resultado tinha sido de sucesso. E eu pensava: Porque não há-de ser o meu caso? Isso ajudou-me.”

A doença surgiu como uma surpresa, para Rui Branco. “Até aos 47 anos, sempre tive saúde e quando isto aconteceu percebi que não era incólume à doença e também me tocava a mim.”

O que mais lhe custou – diz – ao longo do processo que se seguiu, foi a ansiedade provocada pelo tempo que teve de esperar entre os vários exames que realizou, até saber resultados definitivos. “O resultado da colonoscopia, depois da biópsia, depois do TAC, depois do que foi para analisar após a cirurgia… e foi uma sucessão de boas e de más notícias, foi o que mais me custou.”

Evitava pensar no futuro, pelas dúvidas que isso lhe suscitava e fugia sempre desse pensamento para “evitar um processo de desistência”.

Apesar do “azar” de uma complicação após a cirurgia realizada no Hospital de Leiria tudo correu bem. “Não tenho razão absolutamente nenhuma de queixa do Sistema Nacional de Saúde”, sublinha.

Felizmente, não precisou de fazer quimioterapia. Recuperou bem e considera que a prevenção “faz toda a diferença”, recomendando também às pessoas que recebem um diagnóstico evitarem procurar informação na internet.

Cinco anos depois Rui Branco, de 53 anos, faz a sua vida normal e continua a fazer longos percursos de bicicleta.

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