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Identificado mecanismo que torna cancro do estômago mais agressivo

A descoberta de investigadores portugueses abre novas possibilidades no tratamento.

Larry Downing

Um dos mecanismos que contribui para o comportamento mais agressivo das células tumorais relacionadas com o cancro do estômago foi identificado por um grupo de investigadores portugueses do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde.

O estudo que desenvolveram intitulado “O-glycans truncation modulates gastric cancer cell signaling and transcription leading to a more agressive phenotype” publicado na revista EBioMedicine, teve como principal objetivo "compreender o efeito das alterações dos glicanos [estruturas de hidratos de carbono complexas] no cancro", segundo o responsável pela investigação, Celso Reis.

"Estas alterações dos glicanos eram conhecidas por ocorrer nas células tumorais, mas a razão desta expressão aberrante nos tumores e o papel funcional destas alterações não eram compreendidas", explica, em declarações à Lusa.

O ESTUDO PERMITIU CONCLUIR QUE O MECANISMO MOLECULAR PODE INDUZIR AS CÉLULAS TUMORAIS A SEREM MAIS AGRESSIVAS, CAUSANDO A PROGRESSÃO DA DOENÇA E INFLUENCIANDO O DIAGNÓSTICO CLÍNICO

Os resultados obtidos permitiram constatar que o "mecanismo molecular" pode induzir as células tumorais a "serem mais agressivas, causando a progressão da doença e influenciado o prognóstico clínico dos doentes", esclarece o investigador, adiantando que “esta alteração da glicosilação, modifica e ativa determinadas vias de sinalização e expressão de determinados genes das células que induzem um comportamento agressivo das células tumorais do cancro do estômago".

Conhecer estes mecanismos contribui para uma melhor "estratificação dos doentes" através de terapias dirigidas e fármacos inovadores, bem como “para o desenvolvimento de fármacos mais eficientes" no tratamento do cancro, sublinha Celso Reis. "Se soubermos quais são os cancros com estas caraterísticas, podemos tratar melhor estes casos. Nos casos em que o 'arsenal' terapêutico não é o mais eficiente, podemos identificar e desenvolver novas estratégias para atingir estes novos alvos terapêuticos.”

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