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Mutações em enzima estão associadas a mau prognóstico do cancro da pele

Conclusões de um estudo de um investigador do Porto.

Um investigador do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), no Porto, demonstrou que as mutações da enzima telomerase estão associadas "a um mau prognóstico" do carcinoma espinocelular, o segundo cancro da pele mais comum, foi hoje anunciado.

O i3S explica, em comunicado, que o estudo desenvolvido pelo investigador Manuel António Campos analisou 152 tumores malignos espinocelulares de 122 pacientes tratados no Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia e Espinho (CHVNG/E), visando "determinar a presença das mutações do promotor da telomerase [enzima chave no processo de divisão das células tumorais] e correlacionar a sua presença com fatores de prognóstico".

O estudo, publicado na edição de março de 2019 do Journal of the American Academy of Dermatology, demonstrou que as mutações da enzima telomerase estavam associadas a "um mau prognóstico no carcinoma espinocelular".

"Estes resultados são pioneiros, não só porque é a primeira vez que se estabelece esta relação, mas também porque poderão dar origem aos primeiros marcadores genéticos de prognóstico, que permitirão determinar a agressividade e como tratar estes carcinomas. Sublinhe-se que estes carcinomas, em caso de recidiva e/ou metastização, têm uma grande mortalidade", assegura o instituto de investigação.

Citado no comunicado, o investigador Manuel António Campos esclarece que, no estudo, as mutações do promotor da telomerase estavam presentes "em 31,6% dos casos, sendo a taxa de mutação superior em carcinomas invasivos (34,7%) do que em carcinomas 'in situ' [não invasivos] (19,4%)", acrescentando que os tumores que sofreram recidiva (76,5%) ou metástases (87,5%) eram "mais frequentemente mutados".

O investigador salienta que as mutações apresentadas podem vir a tornar-se "no primeiro marcador genético de prognóstico e serem incluídas em 'guidelines' internacionais para estadiamento e tratamento destes carcinomas".

Segundo o i3S, a investigação desenvolvida já foi distinguida pela Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV), com um prémio de 15 mil euros, e conquistou o prémio de melhor comunicação oral na Reunião da Primavera da SPDV.

Lusa

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