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Cancro: Taxas de sobrevivência aumentam em Portugal

Portugal está entre os dez países da Europa que registam melhores taxas de sobrevivência no cancro da mama, estômago e próstata.

José Fernandes

O aumento do nível de vida influência de forma decisiva as taxas de sobrevivência ao cancro sobretudo nas crianças. Um dos estudos mais significativos sobre o tema coloca Portugal entre os dez países europeus que registam as melhores taxas de sobrevivência no cancro da mama (90% em média), estômago (87,6%) e próstata (90,9%).

A taxa de sobrevivência no cancro do cólon é de 60,9 %, enquanto a taxa de sobrevivência para a leucemia situa-se em 89,8 %, valores idênticos aos registados nos Estados Unidos e em outros países europeus.

O estudo Concord 3, publicado na revista Lancet, coloca os Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia na lista de países com maiores taxas de sobrevivência.

Os investigadores analisaram os 18 cancros ou grupos de cancros que mais afetam a população mundial.

Foram recolhidos dados de 37,5 milhões de doentes diagnosticados com cancro entre 2000 e 2014 em 71 países.

O custo global do tratamento do cancro ultrapassa os 300 mil milhões de dólares, valor que cresce todos os anos. As taxas de sobrevivência sobem nos países que adotaram políticas de cuidados universais de saúde.

O mesmo estudo revela que, em 2017, as estimativas do «custo global do tratamento do cancro” ultrapassavam os 300 mil milhões de dólares (mais de 260 mil milhões de euros), valor que cresce todos os anos e «ameaça a viabilidade de sistemas de saúde e economias nacionais».

Comparando as taxas de sobrevivência e os sistemas de saúde, conclui-se que, em países onde não há cuidados universais de saúde, os doentes, além de sofrerem «catástrofes financeiras» para terem acesso ao tratamento, têm menos possibilidades de sobrevivência.

Ou seja, os números traduzem o fosso que existe entre a população com e sem acesso aos sistemas de saúde. Em países com “grandes deficiências no diagnóstico e tratamento de uma doença que é geralmente considerada curável”, as taxas de mortalidade são muito superiores.

José Fernandes

As taxas de mortalidade aumentam em países de rendimentos baixos ou médios, onde o acesso aos serviços de saúde “é muitas vezes deficiente e o abandono dos tratamentos é um grande problema».

Segundo o estudo, o cancro do pâncreas continua a ser um dos mais mortais, com a taxa de sobrevivência global, entre 2010 e 2014, a situar-se entre os 5 % e os 15 % (com uma média de 10,7 % em Portugal).

Quanto ao cancro do pulmão, registou-se uma taxa de sobrevivência média entre 10 % e 20 % (cerca de 16% em Portugal).

O cancro do fígado, que tem uma taxa de sobrevivência entre os 5% e os 30 %, regista uma média de 18,7 % em Portugal.

Na maioria dos países não há meios para recolher e trabalhar os números relacionados com a doença. E sem dados fidedignos, é difícil definir políticas adequadas de prevenção e de combate ao cancro.

Os autores do trabalho chamam a atenção para a importância de se conhecerem «números reais de pacientes reais». A verdade é que, na grande maioria dos países, não há investimentos em meios suficientes para recolher e trabalhar os dados reais, seja na fase do diagnóstico seja nas diferentes etapas de acompanhamento dos doentes, criando, assim, situações de «miopia política e prioridades distorcidas» quando se definem estratégias e aprovam orçamentos.

Como sublinha Claudia Allemani, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, uma das principais autoras do estudo, os dados «desadequados ou errados» impossibilitam os governos de «compreender a verdadeira natureza e dimensão dos problemas de saúde pública».

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