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A importância da Investigação do cancro: “Pode-se prevenir e curar a doença através do que se descobre”

Esta afirmação pertence a Fátima Carneiro, a patologista mais influente do mundo, segundo os seus pares, proferida durante o debate realizado no IPO do Porto no âmbito do projeto “Tenho Cancro. E depois?”, uma iniciativa editorial da Sic Notícias e do Expresso, que conta com o apoio da Novartis e da Médis.

Fernando Veludo/NFACTOS

O projeto “Tenho Cancro. E depois?” rumou até ao IPO do Porto para a realização de mais um debate, desta vez sobre a investigação do cancro em Portugal, num evento que juntou alguns dos especialistas portugueses mais relevantes na área.

Fátima Carneiro, Diretora do serviço de Anatomia Patológica do Hospital de São João, afirmou que quando se fala de combate ao cancro “a prevenção é uma arma”. “É possível prevenir, detetar precocemente e curar o cancro”, refere. A patologista diz ainda que, na investigação de translação, Portugal consegue ser líder, sobretudo ao nível do carcinoma da próstata e cancro de estômago. “Portugal tem talento ao nível da investigação do cancro, mas precisa de melhorar as infraestruturas e as interligações entre as mesmas.”

Na opinião de Júlio Oliveira, médico oncologista no IPO do Porto, “Portugal devia ter a capacidade de fazer investigação sem que esta coincida com os interesses de empresas privadas internacionais.” O médico alertou ainda para o facto do país necessitar de se organizar nesta área. “É um trabalho no qual todos devem estar envolvidos, dos médicos às associações de doentes”. Júlio Oliveira deixa uma sugestão: “A atividade de ensaios clínicos podia até ser coordenada pelos Ministério da Economia, uma vez que apresenta grandes benefícios para o país e pode atrair investimento.”

Para José Dinis, atual Diretor do Programa Nacional de Doenças Oncológicas, o importante é “olhar para o que se passa à nossa volta”. O coordenador pela Unidade de Investigação Clínica do IPO do Porto, dá como bons exemplos aquilo que se passa no Reino Unido e na nossa vizinha Espanha, países que “conseguem faturar milhões todos os anos com ensaios clínicos e conseguem atrair muito investimento internacional.” Tanto o Reino Unido, como Espanha, investiram numa estrutura nacional ao nível dos ensaios clínicos nos inícios dos anos 2000.

Fátima Vaz, Coordenadora da Consulta de Risco Familiar de Cancro da Mama e Ovário do IPO de Lisboa e membro da Comissão Executiva da CEIC (Comissão de Ética para a Investigação Clínica) fala da “falta de confiança das estruturas em Portugal para falarem a uma só voz”, reforçando a pouca organização existente no país. “Temos um longo caminho a percorrer, mas eu estou otimista”, confessa.

Texto originalmente publicado no Expresso.

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