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"Vou fazer quimioterapia. E agora?"

É a pergunta que angustia tanta gente antes de iniciar o tratamento. E é, também, o título do livro que a enfermeira Patrícia Matos Martins escreveu para responder às dúvidas e ansiedades das pessoas com doença oncológica que vão começar a fazer quimioterapia

Patrícia Isabel de Andrade Matos Martins, de 36 anos, é enfermeira há 15 no Centro Hospitalar Barreiro Montijo e há 10 no Hospital de Dia de Oncologia.

Em 2019, depois de ter concluído o mestrado na área de enfermagem médico-cirúrgica, durante o qual desenvolveu ampla investigação na área da prevenção e gestão dos efeitos adversos da quimioterapia, decidiu escrever um livro (que contou com os apoios da Editora Projeto Foco e do Atelier Mil Cores) para os doentes oncológicos, familiares e cuidadores, considerando ser “importantíssimo” dar-lhes “informação fidedigna”. Baseia-se nos “vários os estudos” que “comprovam que um doente bem informado, sente-se mais seguro, o que conduz à redução da ansiedade e outros efeitos adversos.”

Este livro “repleto de dicas e estratégias no controlo de efeitos adversos da quimioterapia”, foi escrito numa “linguagem simples, clara e positiva, para ser acessível tanto a leigos como a profissionais”, diz Patrícia Matos Martins, sublinhando que o seu objetivo é que chegue a todos os doentes oncológicos.

Por enquanto, porém, isso não é possível, já que o livro ainda não está nas livrarias.

A enfermeira esclarece que atualmente decorre uma campanha de crownfounding para financiar a primeira edição, da qual uma parte do valor reverterá para a Fundação Robert Kalley, que apoia doentes oncológicos e seus cuidadores e onde Patrícia Matos Martins aprendeu que “ajudar os outros também é terapêutico.”

Comunicar más notícias é sempre um dos momentos mais difíceis para mim e acredito para todos os enfermeiros".

Comunicar um diagnóstico de cancro a alguém não é fácil. “Comunicar más notícias é sempre um dos momentos mais difíceis para mim e acredito para todos os enfermeiros. Para além de gerir o momento relativamente à forma como o doente/família vão reagir à má noticia, também tenho que lidar com os meus próprios sentimentos e emoções”, diz.

No momento de iniciar o tratamento com quimioterapia, “considero que o mais importante é que o doente tenha oportunidade de colocar todas as suas questões. Tem o direito de receber a informação que deseja e não pode ter receio de fazer perguntas”, diz, notando que, no livro, abordou “esta questão tão importante” e deu “algumas dicas para o doente!”

Há informação que nunca se deve partilhar com um doente assustado e é também importante “dar tempo e espaço ao doente, na consulta, para falar sobre os sentimentos e emoções e permitir colocar todas as questões que são geradoras de ansiedade”, considera.

Aprendi que um sorriso aconchega e que é o amor que fica para sempre".

Patrícia Martins recorda um dos episódios que mais a marcou na sua vida profissional: a morte de uma jovem com cancro da mama bilateral no hospital, na presença da mãe. “Conto esta historia, porque, apesar de triste, considero-a igualmente cheia de força e esperança”, diz. Depois, essa mãe “apesar do choro e da dor incalculável”, dirigiu-se à equipa, “agradeceu a força, o empenho, o carinho, o amor” que lhe tinham dado e contou que “a filha escolhera passar aqueles dias ali internada pois sabia que estaria segura e acima de tudo, sabia que a mãe iria ser amparada e orientada. E nesse momento, sorriu e abraçou todos os profissionais.”

Para Patrícia Martins este episódio traduz aquilo em que acredita. “Aprendi que um sorriso aconchega e que é o amor que fica para sempre.” Essa é a mensagem principal do seu livro.

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