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Adiar endoscopias e colonoscopias pode afetar o rastreio de cancros frequentes na população portuguesa

Especialistas admitem que o adiamento de endoscopias e colonoscopias, em consequência da pandemia provocada pelo novo coronavírus, poderá prejudicar o rastreio e a vigilância de alguns dos cancros mais frequentes na população portuguesa

Joana Ascensão

A deteção e o acompanhamento de alguns dos cancros que afetam o sistema digestivo, dos “mais frequentes da população portuguesa”, pode ser fortemente prejudicada caso se adiem “num largo número” as endoscopias e as colonoscopias, na sequência da paralisação dos exames programados por conta da covid-19.

As más notícias são partilhadas no artigo assinado pelo investigador Mário Dinis-Ribeiro, publicado na revista científica Nature Reviews – Gastroenterology & Hepatology, onde o também professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e investigador do CINTESIS (Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde) admite que “a covid-19 está a afetar a endoscopia gastrointestinal, quer a nível do diagnóstico, quer da terapêutica, e irá continuar a afetar no futuro”.

Além de alguns doentes verem as suas endoscopias e colonoscopias adiadas, existem outros que, por vontade própria, cancelam os exames ou não compareceram por medo de serem infetados pelo novo coronavírus, assim como existem profissionais dessas unidades de exame que foram alocados a outros serviços ou que estiveram em isolamento por causa da infeção.

Um dos maiores receios, admite o médico, “é que muitos cancros deixem de ser detetados em fases iniciais, o que terá um impacto substancial no tratamento e na sobrevivência dos doentes”, razão pela qual Mário Dinis-Ribeiro aconselha a que estes exames possam ser “ser reagendados o mais rapidamente possível”.

Para isso, aconselha a realização de uma triagem e uma estratificação do risco nos doentes que necessitam de endoscopia, adiando os procedimentos considerados não urgentes, e tentanto, ao mesmo tempo, proteger os doentes e os profissionais de saúde especialmente susceptíveis, uma vez que estes procedimentos foram considerados pela Direção-Geral da Saúde como de “elevado risco”, dada a “proximidade com a via aérea, contacto com secreções contaminadas e geração de aerossóis”.

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