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“Pedimos aos doentes oncológicos que não tenham medo de ir aos hospitais”

Este é o apelo que António Sales, secretário de Estado da Saúde, fez durante o debate virtual organizado pelo “Tenho Cancro. E depois?” - um projeto editorial da Sic Notícias e do Expresso, que tem o apoio da Novartis e da Médis e a colaboração da Sociedade Portuguesa de Oncologia e a Liga Portuguesa Contra o Cancro - realizado com o objetivo de apurar as prioridades atuais para a oncologia nacional

Sara Pinto (jornalista da SIC Notícias) moderou o debate que contou com (de cima para baixo, da esquerda para a direita) José Dinis; Tamara Milagre; Rosário André; António Sales; Rui Nogueira; Isabel Galriça Neto; Teresa Bartolomeu; Camila Coutinho; Luís Costa; Fátima Cardoso; Vítor Neves e Vítor Rodrigues

A pandemia trouxe problemas acrescidos à área oncológica que, mesmo antes do aparecimento do novo coronavírus, já apresentava lacunas. Atrasos em consultas de diagnóstico, atrasos em tratamentos e cirurgias são o lado mais visível da realidade que se instalou nas instituições ligadas ao cancro. A digitalização, a reorganização de serviços e o esforço dos profissionais de saúde foram alguns dos trunfos usados para responder a este desafio que obrigou a uma ação rápida e eficaz.

Recuperar os atrasos no diagnóstico, combater o medo e continuar a reorganizar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) são alguns dos pontos que o Governo, os especialistas portugueses na área da oncologia e as associações de doentes apontam como prioritários. “Ao contrário do que se possa pensar, a pandemia vem reforçar a importância do combate ao cancro, não só a nível nacional, como a nível europeu”, defende António Sales, secretário de Estado da Saúde.

Combater o medo e os atrasos

Numa doença como o cancro, em que o tempo é fator deteminante na sobrevivência, António Sales sublinha que “os doentes não podem atrasar os seus diagnósticos e os seus tratamentos”. Apesar do alarmismo gerado em torno do vírus, o cancro continua a ser a segunda doença que mais mata em Portugal, seguida das doenças cardiovasculares. “Não podemos deixar de tratar doenças que têm mortalidades elevadas. Um atraso no diagnóstico do cancro é o pior fator de prognóstico”, explica Fátima Cardoso, diretora da Unidade da Mama do Centro Clínico da Fundação Champalimaud.

O atraso que se verificou no diagnóstico não se refletiu no total de consultas, uma vez que não houve um decréscimo das mesmas durante a pandemia. De janeiro a maio de 2019, 222 mil 586 consultas foram realizadas. No mesmo período homólogo de 2020, houve um aumento de 0,5%, o que corresponde a um total de 223 mil consultas.

Apesar da subida diária de novos casos de infeção por Covid-19, os especialistas acreditam que os doentes podem sentir-se seguros na hora de visitar um hospital. “Desde muito cedo que percebemos que era fundamental haver circuitos diferenciados para esta população dentro do hospital, assim como a necessidade de testagem sistemática destes doentes, sempre que se dirigiam a instituições de saúde”, relembra José Dinis, coordenador do Plano Nacional para as doenças oncológicas. “Não atrasem os vossos diagnósticos, não faltem aos tratamentos”, reforça Vítor Rodrigues, presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

Além da recuperação da confiança por parte dos doentes, há outras prioridades para a oncologia nacional como, por exemplo, retomar e recuperar rastreios, apostar em melhores equipamentos e infraestruturas adaptadas às novas medidas de distanciamento social, aumentar a literacia em saúde, fomentar a articulação entre público e privado, investir numa nova política de recursos humanos ou diminuir os atrasos nas juntas médicas para a atribuição de atestados multiusos aos doentes com cancro.

Saiba mais sobre as soluções e prioridades que foram apresentadas durante o debate na edição de 4 de julho do semanário Expresso

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