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Novo teste de sangue pode detectar cancro de forma mais precoce

Chama-se PanSeer e é um novo método que permite detectar, de forma precoce, sinais de cancro do pulmão, estômago, cólon e reto, fígado e esófago em doentes assintomáticos. Ainda não está disponível para usar clinicamente, mas os primeiros estudos mostram resultados positivos

José Fernandes

A revista Nature Communications publicou um artigo no qual foi divulgado um novo exame ao sangue (PanSeer) que permite diagnosticar, de forma mais precoce e económica do que o habitual, cinco tipos de cancro diferentes - cancro do pulmão, estômago, colón e reto, fígado e esófago. A grande vantagem desta nova descoberta é que permite aos doentes que não apresentam sintomas (mas que já têm cancro) serem diagnosticados numa fase muito embrionária da doença, proporcionando um período maior de ação para tratar o cancro, patologia onde o tempo é um fator determinante para um desfecho positivo.

O PanSeer foi desenvolvido por uma equipa de investigadores norte-americanos da Universidade da Califórnia (EUA), que contaram com a colaboração de peritos da Universidade de Fundan (China) e da Startup Singlera Genomics. Nos últimos anos, têm surgido estudos que testam a eficácia de exames ao sangue para diagnosticar neoplasias, uma vez que representam métodos menos invasivos para o doente.

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91% dos casos de cancro foram detectados

A revista Nature Communications divulgou que o PanSeer teve a capacidade de detectar, em pessoas assintomáticas, 91% dos casos até quatro anos antes do diagnóstico que se costuma fazer atualmente. No entanto, apenas detectou 88% dos casos de doentes já diagnosticados.

Foram analisadas amostras de plasma de 605 indivíduos assintomáticos, 223 doentes com um cancro já diagnosticado e 200 amostras de tumores primários. Dos indivíduos sem sintomas, 191 foram depois diagnosticados com cancro. Nos doentes com pré-diagnóstico de cancro, observou-se uma sensibilidade geral de 95% no conjunto de testes e, nos doentes diagnosticados com cancro tardio, a sensibilidade foi de 91% no cancro de esófago e 100% no cancro de fígado.

Apesar dos bons resultados obtidos, o teste ainda não apresenta uma fiabilidade de 100%, entre outras limitações, pelo que são necessários mais estudos e mais tempo de investigação para apurar e melhorar a sua eficácia. Todavia, o PanSeer é considerado, pelos próprios investigadores, uma esperança no avanço da metodologia de diagnóstico do cancro.

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