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Investimento de 17,6 milhões de euros quer aproximar a ciência aos doentes com cancro

O Porto Comprehensive Cancer Centre (P.CCC), um consórcio entre o Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO Porto) e o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), recebeu aprovação para a implementação do projeto "TeamUp4Cancer" na região Norte

José Fernandes

O P.CCC - criado em 2016 - é, na atualidade, o único centro compreensivo de cancro em Portugal. Com apoio financeiro do Norte 2020, num investimento total de mais de 17,6 milhões de euros, o projeto arranca no 2º trimestre de 2021 e decorrerá ao longo dos próximos dois anos.

"É a primeira vez em Portugal que vamos poder cumprir todo o ciclo que vai desde a identificação dos mecanismos alterados nas células tumorais até aos ensaios clínicos baseados no conhecimento profundo dos processos moleculares e celulares subjacentes à doença", sublinha Raquel Seruca, coordenadora da candidatura aos fundos do Norte2020 por parte do i3S.

O projeto de investigação - "TeamUp4Cancer" - pretende encurtar o ciclo de descoberta científica em cancro, aproximando a investigação básica e a prática clínica, através da aplicação de tecnologia de ponta e exploração de ensaios clínicos de fase precoce, procurando benefícios concretos para o doente oncológico e o desenvolvimento mais célere de novas armas terapêuticas contra o cancro.

"No âmbito da implementação do projeto, é expectável que sejam anualmente elegíveis para pré-screening molecular um total de 200 a 300 doentes oncológicos, com diversos tipos de cancro. De acordo com a literatura e a experiência por nós acumulada, esperamos que 10-20% deles possam beneficiar de inclusão em ensaios clínicos de fase precoce", explica Rui Henrique, coordenador do consórcio e Presidente do IPO Porto.

José Fernandes

Investir em equipamento de ponta e recursos humanos qualificados

O programa "TeamUp4Cancer", no contexto do P.CCC, irá contribuir para levantar novas questões científicas relacionadas com o cancro e para o desenvolvimento de estratégias para o controlar.

Todas as descobertas e questões relacionadas com propriedade intelectual serão monitorizadas pelas unidades de transferência de tecnologia no IPO do Porto e i3S para facilitar esta transferência e sua aplicação na prática clínica. O principal investimento verterá na aquisição de equipamentos de ponta, na contratação de recursos humanos altamente qualificados e na adequação de infraestruturas clínicas e laboratoriais para apoio à realização de ensaios clínicos de fase precoce. O programa prevê, ainda, incrementar o número de start-ups e spin-offs, contribuindo para a disseminação de tecnologia e retorno deste investimento, em especial na Região Norte. No âmbito do projeto vão também ser contratados 12 doutorados, 10 técnicos de investigação e um elemento de gestão de projetos.

"Até 2030 mais de três milhões de vidas salvas, vivendo mais e melhor"

"A implementação de novos equipamentos e infraestruturas no âmbito do P.CCC vai criar novas oportunidades de fazer investigação de ponta em cancro com a preocupação de conhecer melhor as bases biológicas desta doença, transferir esse conhecimento para novas ferramentas de rastreio e diagnóstico precoce de cancro e desenvolver novas terapias, assim como novas estratégias de acompanhamento e tratamento dos doentes", refere Claudio Sunkel, Diretor do i3S.

"Temos agora todas as condições científicas, clínicas e tecnológicas para avançar e fazer melhor medicina de precisão e contribuir para o grande objetivo europeu da Missão Cancro para a próxima década: Até 2030 mais de três milhões de vidas salvas, vivendo mais e melhor", acrescenta o especialista.

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