Cancro do cólon: 8 mil novos casos em Portugal
Mais de oito mil novos casos de cancro do cólon surgem, por ano, em Portugal, país que regista um aumento da mortalidade causada por esta patologia.
O cancro do cólon passou a ser, em 2018, a primeira causa de novos casos de cancro em Portugal, revelam os dados mais recentes divulgados pela Agência Internacional de Investigação do Cancro (IARC).
O LITORAL NORTE E O CENTRO DO PAÍS SÃO AS REGIÕES COM A MAIOR INCIDÊNCIA DE CANCRO COLORRETAL. AS MAIORES TAXAS DE MORTALIDADE REGISTAM-SE EM LISBOA E VALE DO TEJO E NO ALENTEJO
Um estudo apresentado no início deste ano por Rita Roquette, especialista em sistemas de informação geográfica do Departamento de Epidemiologia, indica que os valores mais elevados de risco de incidência de cancro colorretal em Portugal continental tendem a localizar-se no litoral Norte e Centro e os da mortalidade em Lisboa e Vale do Tejo e no Alentejo.
Intitulado “Spatial Epidemiology of Cancer: Data types, spatial aggregation and geographical patterns in mainland Portugal”, este estudo mostra ainda que os valores mais elevados de incidência e mortalidade por cancro colorretal se observam particularmente nos homens.
COLONOSCOPIAS A PARTIR DOS 50 ANOS
Apesar de silenciosos, é possível prevenir os cancros do intestino grosso, diz Luis Tomé, diretor do Serviço de Gastroenterologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra e presidente da Sociedade Portuguesa de Gastroenterologia (SPG), explicando que estes tumores “desenvolvem-se quase sempre em cima de pólipos, que quando crescem de uma certa maneira transformam-se em estruturas malignas".
AS COLONOSCOPIAS PERMITEM DETETAR E REMOVER OS PÓLIPOS, EVITANDO QUE OS TUMORES SE DESENVOLVAM
As colonoscopias permitem detetar e remover esses pólipos, evitando que os tumores se desenvolvam, esclarece, defendendo que, a partir dos 50 anos, todas as pessoas devem fazer uma colonoscopia. É a prática de outros países europeus, onde os rastreios têm contribuído para a diminuição significativa da mortalidade em consequência do cancro do intestino, ao contrário do que acontece em Portugal, onde, todos os anos, morrem cerca de quatro mil pessoas vítimas de tumores colorretais.
"Estamos perante um problema em que há uma mortalidade oito vezes superior” à provocada por acidentes de viação, nota Luis Tomé.
Em vez das colonoscopias, muitos médicos optam por prescrever testes de sangue oculto nas fezes para detetar sinais de eventuais tumores no intestino. Luís Tomé considera que este não é um método rigoroso, já que "deteta mais tumores do que pólipos e o que se quer é encontrar pólipos antes de se transformarem em tumores”, já que são estes que matam.
O presidente da SPG salienta a importância do diagnóstico precoce para o sucesso do tratamento. É a forma de inverter a tendência de evolução do número de tumores, defende.
EUROPA CONTRA O CANCRO DO INTESTINO
O Mês Europeu da Luta Contra o Cancro do Intestino (EECAM) foi assinalado no passado mês de março, com o lançamento da campanha MyBest10Seconds no Parlamento Europeu. Iniciativa da Digestive Cancers Europe, o objetivo foi sensibilizar para a doença e promover rastreios para a deteção precoce deste tipo de cancro.
TODOS OS ANOS 370 MIL CIDADÃOS DA UNIÃO EUROPEIA SÃO DIAGNOSTICADOS COM CANCRO DE INTESTINO E 170 MIL MORREM
Em Portugal, a campanha, incluiu diversas iniciativas, com vista a alertar para o elevado número de mortes (11 pessoas por dia) em consequência cancro do intestino.
Todos os anos 370 mil cidadãos da União Europeia são diagnosticados com cancro do intestino e 170 mil morrem.
A campanha MyBest10Seconds chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce, já que os doentes em fase inicial têm 90% de probabilidades de sobrevivência.
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