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Cancro e exercício físico. “Aceleramos a reabilitação para que depois o regresso à vida normal seja mais rápido”

27.05.2022 22:10

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Tiago Moreira, coordenador do projeto Quality Onco Life foi um dos convidados da rubrica “Vamos Falar?”, organizada pelo “Tenho Cancro. E depois?”, e ajudou a esclarecer os motivos pelos quais os doentes oncológicos devem praticar exercício físico durante os tratamentos

Aproximadamente 1/3 de todas as mortes por cancro estão relacionadas com a dieta e exercício. 75 a 80% da maior parte dos cancros são causados por fatores associados ao estilo de vida e que 40% dos cancros podem ser evitados se existirem mudanças no estilo de vida.

Mesmo que durante muitos anos os doentes oncológicos não praticassem desporto por receio de agravar o estado da doença, estudos recentes mostram precisamente o contrário: o exercício físico não só faz bem aos doentes em tratamento, como reduz o risco de desenvolver certos tipos de cancros, como por exemplo, o cancro da mama ou o cancro da próstata, entre outros. A convidada Ana Joaquim, médica e oncologista e uma das coordenadoras do projeto OncoMove, diz mesmo que “é uma questão que tem que ser desmistificada”. Tiago Moreira refere ainda que o paradigma já está a mudar e que a ciência fala por si. “Não existem entraves por parte dos médicos em recomendar a prática de exercício”, sublinha.

Os projetos OncoMove e Quality Onco Life são pioneiros em Portugal e estão a provar à sociedade que além do carácter preventivo, a atividade física pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos doentes oncológicos. “Aceleramos a reabilitação para que depois a reintegração na vida normal seja mais rápida”, explica Tiago Moreira.

Os benefícios não ficam por aqui: redução da ansiedade, aumento de autoestima e autocrontolo são apenas algumas das consequências positivas do ponto de vista psicológico e anímico. “As pessoas estão numa fase da vida delas em que sentem que não podem controlar nada. Quando as pessoas vão fazer exercício, estão com outras pessoas que estão a passar pelo mesmo e falam entre elas”, esclarece oncologista Ana Joaquim.

Ana Joaquim, médica oncologista e coordenadora do projeto OncoMove e Paula Duarte Teixeira, doente oncológica

No debate participou ainda Paula Duarte Teixeira, doente oncológica e utente no projeto OncoMove, que descreveu como a atividade física tem sido uma mais valia na sua reabilitação. “Tive uma evolução tremenda”, conta.

As vantagens do exercício físico ainda estão a ser estudadas, sendo que os resultados preliminares parecem ir de encontro ao reforço da tese de que o exercício físico deve ser prática comum entre os doentes com cancro. Tiago Moreira deixa um exemplo: “Alguns estudos mostram que o exercício pode potenciar os tratamentos, mas este ainda não é um dado muito concreto”.

Principais conclusões

  • O exercício físico atua sobretudo ao nível da diminuição de fadiga. Segundo os estudos, este é um dos efeitos colaterais mais comuns que a quimioterapia provoca. No seu projeto, Quality Onco Life, Tiago Moreira observou que “quem fez exercício físico reportou índices de fadiga mais baixos do que quem não fez exercício”. Além disso, os resultados foram semelhantes no que toca à predisposição física para realizar atividades do dia-a-dia;
  • Os exercícios costumam concentrar-se em atividade aeróbica e treino de força, sempre adaptados a cada doente;
  • É muito importante que a equipa que acompanha o doente com cancro seja multidisciplinar. “O exercício físico deve ser administrado em segurança e em dose certa e deve ser encarado como um cuidado de suporte”, sublinha Ana Joaquim.
  • O Colégio Americano de Medicina Desportiva recomenda 150 minutos semanais de exercício aos doentes com cancro, independentemente da fase de tratamento em que se encontram.

Para ver a sessão na íntegra clique AQUI.

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