Sobre o Projeto

"Tenho Cancro. E depois?"

Cancro era uma palavra escondida, dita em surdina.

A palavra era escondida, como que se a sua simples pronúncia amaldiçoasse quem a proferisse ou acabasse de vez com quem dela padecesse.

A palavra era dita em surdina, em ambiente recatado, ou não entrava nas conversas (“coitadinho, tem um tumor nos intestinos”, “nasceu-lhe um caroço na mama”, “apareceu-lhe uma verruga nas costas”).

ATÉ NAS NOTÍCIAS, A PALAVRA ERA SUBSTITUÍDA POR "DOENÇA PROLONGADA"

Era termo proibido, sinónimo de grande infelicidade, situação de dor profunda, tantas vezes início de despedida.

Afastar a palavra era uma forma de nos protegermos da má reputação da doença, preservando pacientes, familiares e os que, sem exceção, “o bicho” poderia um dia visitar.

Ainda hoje, em algumas notícias (cada vez menos, é verdade), a palavra é substituída por “doença prolongada” para explicar a causa da morte de pessoas cuja partida merece ser partilhada: “Vítima de doença prolongada, morreu esta manhã no hospital Fulano de Tal, que deixa mulher e filhos menores”

ASSUMIR E EXPLICAR AS CAUSAS DO CANCRO, COLOCANDO O CIDADÃO NO CENTRO DO PROBLEMA, É A MELHOR FORMA DE PREVENIR E TRATAR A DOENÇA.

Ora, assumir e explicar este problema grave de saúde pública será certamente a melhor forma de prevenir e de tratar a doença.

Trazer para o espaço público todas as questões relacionadas com as doenças oncológicas, dos fatores de risco ao diagnóstico, da prevenção aos ensaios clínicos e à descoberta de novos meios de tratamento – esta é seguramente a atitude mais correta de lidar com esta doença, cada vez mais crónica e cada vez mais próxima de cada um de nós.

É esse o objetivo principal deste projeto “Tenho Cancro. E Depois”, que os portugueses podem acompanhar até final do ano através do Expresso, da SIC e especialmente da SIC Notícias.

"TENHO CANCRO. E DEPOIS?" É UM ESPAÇO QUE DÁ VOZ A TODOS OS PROFISSIONAIS QUE LIDAM COM A DOENÇA, E TAMBÉM AOS DOENTES, PODENDO ASSIM TRANSMITIR EXPERIÊNCIAS E PARTILHAR CONHECIMENTOS.

Espaço de informação e de debate, “Tenho Cancro. E Depois?”, pretende pôr o cidadão no centro do problema, procurando saber o que está a ser feito em todo o mundo para prevenir e tratar a doença (Notícias).

É pois um espaço que dá voz a cientistas, a médicos, enfermeiros, assistentes sociais e a todos os profissionais que lidam com a doença, podendo assim transmitir experiências e partilhar conhecimentos (Os Especialistas).

É também uma porta que se abre às histórias de vida, aos sobreviventes, a exemplos que reforçam a esperança e a confiança de todos os que vivem com a doença (As Histórias).

“Tenho Cancro. E Depois?” é, afinal, um meio de diálogo, de comunicação e de transmissão de conhecimentos sobre um problema que é de todos.