Varíola dos macacos

Casos de varíola dos macacos identificados em Portugal são situações “muito ligeiras e benignas”

18.05.2022 17:16

Monkeypox, A Member Of The Orthopox Family Of Viruses, Is An Infection Accidentally Transmitted To Humans Due To Its Similarity To The Smallpox Virus. Although Animals Infected With Monkeypox Exhibit No Symptoms, Infected Humans Manifest High Fever Accompanied By Headaches, Cervical And Inguinal Adenopathy, And Cutaneous Lesions That Are Similar To Those That Characterize A Smallpox Infection. As With Smallpox, No Effective Medical Treatment Has Been Identified. Here, The Arms And Legs Of A 4 Year Old Girl Infected With Monkeypox. Bondua, Grand Gedeh County, Liberia. (Photo By BSIP/UIG Via Getty Images)

Em Portugal foram confirmados os primeiros cinco casos de varíola dos macacos e, neste momento, há pelo menos 15 situações suspeitas.

Pela primeira vez foram identificados casos de varíola dos macacos em Portugal. Segundo a Direção-Geral da Saúde, até ao momento, há cinco casos confirmados, entre mais de 20 suspeitos.

Margarida Tavares, médica infecciologista e líder da Estratégia Nacional de Controlo das Infeções Sexualmente Transmissíveis e da Infeção pelo VIH, explicou esta quarta-feira que estes cinco casos são situações identificadas em ambulatório, e que por isso não precisaram de hospitalização.

“São situações do ponto de vista clínico muito ligeiras e benignas, embora ainda estejamos a acompanhar a evolução”, afirma a médica infecciologista.

Os casos foram identificados em jovens do sexo masculino, entre os 20 e os 40 anos, “em contexto de atendimento numa clínica de doenças sexualmente transmissíveis, porque apresentavam também algumas lesões genitais”.

“Neste caso em particular, a transmissão ocorreu em pessoas do sexo masculino, algumas delas que são homens que têm sexo com homens. No entanto, isso pode ter sido a forma como foi identificada e a forma como foi dado alerta“, esclarece a médica também porta-voz da comissão criada pela DGS para acompanhamento dos casos de infeção por varíola dos macacos.

Margarida Tavares afirma que “não está descrita classicamente a via de transmissão sexual, mas transmite-se por contacto próximo, íntimo e prolongado”, concluindo por isso que a transmissão por via sexual é “plausível”.

Os casos identificados foram reportados na região de Lisboa e Vale do Tejo e os casos suspeitos, até agora, concentram-se na mesma região, adiantou Margarida Tavares. Apesar de ainda não haver certeza se algum dos doentes se deslocou a África, as informações que dispõem neste momento indicam que não.

Quanto à relação entre os casos já confirmados, a médica esclarece que ainda não se conhece se houve contacto entre os infetados. Uma eventual ligação aos casos que estão a aparecer no Reino Unido também não foi estabelecida e, segundo a médica este é um dos pontos que “querem apurar nos próximos dias”.

Esta é a primeira vez que esta infeção é identificada em Portugal, no entanto “já houve noutros países fora de África”, diz Margarida Tavares.

“Desde 1970, quando o vírus foi identificado pela primeira vez num ser humano, houve já muitos casos de forma esporádica ou em pequenos surtos em vários países de África, nomeadamente na África Central e Ocidental. (…) A primeira vez que ocorreu um surto fora de África foi nos EUA, em 2003, com algumas dezenas de casos associados sempre ao contacto com animais domésticos que contactaram com roedores que tinham sido importados de África”, explica.

A varíola dos macacos é transmitida através de contacto com animais ou por contacto próximo com pessoas infetadas ou materiais contaminados, tratando-se de uma doença rara e que não se dissemina facilmente entre humanos.

A doença caracteriza-se pelo surgimento de lesões cutâneas, desde “pequenas manchas” até “lesões com conteúdo líquido”, mas também podem surgir sintomas sistémicos, como febre, arrepios, dores de cabeça, musculares ou cansaço. Na maioria das circunstâncias é “uma situação autolimitada e benigna”.

Nas formas habituais, o fim do período de contagiosidade “ocorre com a cura completa das lesões”, ou seja “quando as crostas que se formaram caem”. A cura e o fim de período de contágio vai de duas a quatro semanas. “Nesta situação que é nova temos de acompanhar”, diz Margarida Tavares.

Em comunicado, a Direção Geral da Saúde já tinha adiantado que os casos identificados “estão estáveis, apresentando lesões ulcerativas”. Estando neste momento a centralizar todas as ações de deteção, avaliação, gestão e comunicação de risco relacionadas com estes casos através do Centro de Emergências em Saúde Pública (CESP).

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