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Madeira/Cheias: Especialistas defendem regras adaptadas à região (C/VÍDEO)

Lisboa, 31 jan (Lusa) - O coordenador do estudo de avaliação do risco de aluviões na Madeira defendeu hoje a necessidade de adaptar as regras de mitigação de cheia às condições específicas da ilha.

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Lisboa, 31 jan (Lusa) - O coordenador do estudo de avaliação do risco de aluviões na Madeira defendeu hoje a necessidade de adaptar as regras de mitigação de cheia às condições específicas da ilha.

"A legislação deve adaptar-se de forma progressiva e com bom senso às condições especificas da região autónoma da Madeira", afirmou António Betâmio de Almeida, coordenador do Estudo de Avaliação do Risco de Aluviões na ilha da Madeira, hoje apresentado em Lisboa.

O especialista do Instituto Superior Técnico (IST), que coordenou uma equipa de mais de 50 especialistas tanto deste instituto como da Universidade da Madeira, Laboratório Regional de Engenharia Civil, realçou igualmente a necessidade de garantir a continuidade da monitorização para construir uma base de dados histórica.

"É sempre bom fazer com que se definam prioridades e a sociedade civil deve exercer a sua pressão nos decisores políticos para fazer ver a importância de um trabalho destes para a economia e para a competitividade da região", afirmou.

Das diversas recomendações do estudo, que incidiu nas cinco bacias hidrográficas mais afetadas pelas cheias de fevereiro de 2010 -- três no Funchal e duas na Ribeira Brava -- constam a necessidade de evitar a produção de material sólido que possa ser arrastado pelas águas, com um bom coberto vegetal, de instalar bacias de retenção de sólidos ao longo das linhas de água, diminuir a vulnerabilidade das zonas mais expostas e de evitar a exposição a zonas de perigo, com cartas de risco.

"Todas as pessoas devem conhecer os dados e saber onde não devem estar", sublinhou o coordenador do trabalho, cujos primeiros resultados foram apresentados na Madeira em outubro do ano passado.

O trabalho incidiu nas ribeiras João Gomes, Santa Luzia e S. João, no Funchal, e nas da Ribeira Brava e Tabua, as mais afetadas pelas enxurradas que em fevereiro de 2010 provocaram mais de 40 mortos na Madeira.

Além de destacarem a complexidade do fenómeno ocorrido na região autónoma da Madeira, os especialistas destacaram igualmente o peso das características físicas da região nas consequências das cheias de 2010 e a necessidade de manter parcerias de investigação.

Para sublinhar a necessidade de manter o trabalho de monitorização, Betâmio de Almeida lembrou que os incêndios do verão de 2010 "agravaram a vulnerabilidade das encostas".

"É preciso uma sinergia de esforços durante 10 ou 15 anos para se recolher informação que possa enquadrar as intervenções de prevenção da proteção civil", sublinhou o especialista.





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