Díli, 10 fev (Lusa) -- O antigo Hospital Português, em Lahane, Díli, pré-classificado como Património Mundial pela UNESCO, vai ser recuperado por uma organização de saúde de origem australiana, a quem o Governo timorense anunciou hoje ter concedido o respetivo arrendamento.
De acordo com a "Resolução que aprova a concessão do terreno para a construção do Hospital of Hope", tomada em Conselho de Ministros e hoje divulgada, "é concedido o arrendamento, a longo prazo, do antigo Hospital Português (também conhecido como Dr. António Carvalho), em Lahane, para a edificação do futuro Hospital of Hope (HOH) Timor-Leste".
Vocacionado para a prestação de cuidados pré e pós-operatórios, o renovado hospital contará inicialmente com profissionais de saúde da Austrália e de outros países, compreendendo também o projeto uma componente de formação a profissionais timorenses, para que possam vir a assumir a gestão e os serviços clínicos.
As edificações existentes são centenárias e carregadas de História, apesar de terem entrado em acentuada degradação após a ocupação indonésia, período durante o qual apenas ali funcionaram serviços de saúde militares.
Com a designação de Hospital António de Carvalho, durante o período colonial português, situa-se no meio das colinas que rodeiam a cidade de Díli, a cerca de quatro quilómetros da capital, em Lahane, zona preferida pelo próprio governador e pelos quadros da administração portuguesa para residir, por ter um clima mais temperado.
Na II Guerra Mundial serviu de refúgio durante algum tempo aos portugueses que permaneceram no território, durante a ocupação japonesa, e apesar das promessas dos beligerantes face à neutralidade portuguesa, chegou a ser bombardeado um dos seus pavilhões.
Pré-classificado como Património Mundial pela UNESCO, o edifício "exige uma extensa remodelação e expansão para o reconverter num hospital em pleno funcionamento", segundo os promotores do projeto.
De acordo com o projeto, os primeiros serviços serão destinados aos cuidados pré e pós-operatório para pacientes operados por equipas cirúrgicas de visita a Timor-Leste, que depois poderão usar o novo hospital.
Progressivamente, irá auxiliar na prestação de cuidados médicos de qualidade à população, trabalhando em cooperação com o Ministério da Saúde para aliviar a pressão sobre o sistema de saúde público e aumentar a capacidade de resposta.
Outro dos objetivos é que funcione também como hospital de formação, a vários níveis, para permitir que no futuro seja feita a transição, de maneira a ser administrado e mantido por quadros timorenses.
MSO
Lusa / Fim
