O jornalista Pedro Cordeiro, editor de internacional do Expresso, considera que Theresa May passou a bola ao parlamento para garantir que fez o possível no acordo do Brexit. Afirmou ainda que a primeira-ministra britânica tem vindo a perder autoridade.
Adiada votação sobre o Brexit perante risco de rejeição por "grande margem"
O governo adiou a votação do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE), anunciou hoje a primeira-ministra britânica, Theresa May, admitindo que seria rejeitado por uma "grande margem".
"Escutei com muita atenção o que se disse nesta câmara e fora", afirmou, perante risos dos deputados, acrescentando que, mesmo existindo apoio a grande parte do texto, a solução para a Irlanda do Norte causou muitas objeções.
A declaração foi feita naquele que deveria ser o quarto de cinco dias de debate que deveriam culminar com uma votação na terça-feira sobre o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia e a declaração sobre as relações futuras entre as partes.
May disse que falou com vários líderes europeus durante o fim de semana e vai usar o Conselho Europeu de quinta e sexta-feira para negociar com os homólogos de outros Estados membros e dirigentes europeus.
"Vou discutir com eles as preocupações claras que esta Câmara expressou. Estamos também a olhar atentamente para novas formas de capacitar a Câmara dos Comuns para garantir que qualquer provisão para um 'backstop' tenha legitimidade democrática" e também para permitir que a solução não possa ficar em vigor indefinidamente.
A hipótese de a votação ser adiada começou a ser especulada ainda na semana passada na imprensa britânica, que deu conta de membros do governo preocupados não só com o conteúdo do texto, mas também com as possíveis consequências da votação.
