Eleições EUA 2016

Europa "unida na necessidade de reforçar laços" com EUA

Os 28 países da União Europeia concordam com o reforço dos laços com o Estados Unidos na sequência de Donald Trump para a Presidência. Quem o diz é a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

Europa "unida na necessidade de reforçar laços" com EUA
OLIVIER HOSLET

"Posso dizer que há unidade entre os 28 quanto à necessidade, em primeiro lugar, de continuar a trabalhar no reforço das relações transatlânticas", declarou a Alta Representante da UE para a Política Externa à imprensa, depois do jantar informal de chefes da diplomacia, que antecede o Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros, hoje, em Bruxelas.

"A UE e os Estados Unidos são parceiros e vão continuar a ser parceiros, e no que nos diz respeito, tendo como base os nossos valores, princípios e interesses", acrescentou.

Mogherini disse que os responsáveis europeus "partilharam ideias, mas todos estiveram de acordo em ser preciso conhecer as políticas da próxima administração" norte-americana, que "ainda devem ser definidas".

A responsável italiana sublinhou que os ministros defenderam "a necessidade de reforçar a unidade europeia em algumas questões-chave que serão ainda mais cruciais nos próximos meses".

Federica Mogherini destacou o trabalho no sistema multilateral.

Para a UE "é extremamente importante trabalhar na aplicação do acordo sobre alterações climáticas, mas também na não-proliferação e na proteção do acordo nuclear iraniano", questão que responde também a uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, disse.

A chefe da diplomacia europeia sublinhou que a UE "vai continuar a trabalhar com a atual administração" norte-americana, mas "vai também preparar o terreno para a mudança em janeiro".

A responsável afirmou esperar visitar "em breve" Washington e também receber o futuro secretário de Estado norte-americano "num Conselho de Assuntos Externos".

Mogherini referiu também a cooperação e "a partilha" da responsabilidade entre Estados-membros na questão da imigração. Sobre a relação com a Rússia, afirmou que a UE vai manter a mesma posição de recusa da anexação da península ucraniana da Crimeia, ao mesmo tempo que serão desenvolvidos "compromissos seletivos" em assuntos como a luta contra o terrorismo ou a crise na Líbia.

"Não é branca e preta" a relação com a Rússia, sublinhou.

Ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa da UE reúnem-se

O surpreendente triunfo de Trump suscita algumas inquietações no seio da UE e também da NATO, face a diversas posições polémicas assumidas pelo candidato republicano durante a campanha eleitoral.

Assim, apesar de não constar da agenda oficial de trabalhos, a vitória de Trump irá também certamente marcar os trabalhos de hoje, incluindo a sessão conjunta de trabalho entre ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, na qual Portugal estará representado pelos ministros Augusto Santos Silva e Azeredo Lopes.

Os ministros têm em agenda um debate sobre a Estratégia Global da UE, em particular no domínio da segurança e defesa, para definir prioridades de ação concretas, devendo no dia seguinte os ministros da Defesa da UE abordar a cooperação entre a União e a NATO, numa reunião com a participação do secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg.

No Conselho de Negócios Estrangeiros, os 28 discutirão, entre outros assuntos, a situação na Turquia, designadamente os últimos desenvolvimentos no país, seguidos com muita apreensão em Bruxelas.

Na passada terça-feira, Mogherini, em nome dos 28 Estados-membros da UE, condenou os recentes recuos na democracia na Turquia, nomeadamente a intenção de reintroduzir a pena de morte e as limitações à liberdade de expressão, e disse estar a acompanhar "com grande inquietude" os recentes desenvolvimentos na Turquia.

Com Lusa