Harry Potter

20 Anos de Magia: Harry Potter e as traduções

A tradução portuguesa do sexto e penúltimo volume da saga "Harry Potter" ficou pronta no fim de Agosto de 2005. A primeira tiragem contou com 150 mil exemplares. Portugal foi um dos primeiros países de língua não inglesa a ter o livro editado. Foi um trabalho em conta relógio com a assinatura de quatro mulheres. Isabel Nunes (coordenadora da equipa de tradução), Alice Rocha, Manuela Madureira e Carmo Figueira. Mas a história da tradução dos livros livros de "Harry Potter" tem um enredo próprio.

20 Anos de Magia: Harry Potter e as traduções

Os primeiros três volumes da saga foram traduzidos por uma única pessoa. Isabel Fraga, foi a responsável por dar a conhecer o universo mágico em português, a tradutora que também é escritora colaborou na tradução das aventuras do jovem feiticeiro até ao quinto volume da saga de J.K.Rowling (Harry Potter e a Ordem da Fénix). As traduções de livros destes não são fáceis e com o passar do tempo a "Presença" (editora) teve formar uma equipa de tradução. O primeiro livro de Harry Potter em que se recorreu a mais que uma tradutora foi no "Cálice do Fogo", uma vez que a popularidade obrigava a prazos cada vez mais apertados entre a edição original e a publicação portuguesa. Foi aí que entraram em ação Isabel Nunes, Alice Rocha, Manuela Madureira e Carmo Figueira.

Isabel Nunes - Tradutora
SIC

As tradutoras recebiam os capítulos e, depois, cabia a Isabel Nunes a tarefa de coordenar tudo e fazer com que não houvesse diferenças de nomes ou de estilos.

Título Polémico

Foi com a publicação do sexto livro que conta as aventuras do jovem feiticeiro que a polémica em volta das traduções estalou. Os Potterheads ("uma pessoa fantasticamente fixe que é obcecada por Harry Potter", segundo o "Urban Dicionary") são seres extremamente exigentes e não perdoam o mais pequeno deslize.

A questão do título do livro foi motivo de grande discussão na blogosfera. O original, traduzido à letra, seria "Harry Potter e o Príncipe de Meio Sangue", mas numa entrevista dada ao jornal "Tal e Qual" em 2005, a tradutora Isabel Nunes explicou que "para quem leu o livro faz todo o sentido mas em português não se usa, excepto em animais".

O livro chegou a ser anunciado como "Harry Potter e o Príncipe das Poções", mas a escolha final acabou por recair em "Harry Potter e o Príncipe Misterioso". A editora portuguesa aprovou, a editora internacional deu luz verde e a publicação avançou com esse nome.

A hipercriatividade de Rowling e os neologismos

O universo complexo de J.K.Rowling foi um desafio e um autêntico "bico-de-obra" para as tradutoras. O mais difícil não é a língua mas sim a criatividade. "A Jo (J.K.Rowling) é hipercriativa e inventiva, faz muitos jogos de sons e de palavras. Alguns perdem-se de facto, noutros tentamos ser criativos, noutros ainda introduzi notas de rodapé para as pessoas terem a noção da riqueza do original", confessava Isabel Nunes em 2005.

Os livros de Potter levaram até à criação de neologismos como: "espreitoscópio", "pungentos" e "pensatório".