Homicídio de Carlos Castro

Defesa de Renato Seabra aguarda elementos para decidir sobre defesa psiquiátrica

O advogado de defesa do jovem português Renato Seabra, acusado do homicídio do colunista social Carlos Castro nos Estados Unidos, disse hoje que aguarda por elementos da Procuradoria para decidir se vai optar pela defesa psiquiátrica.

"Ainda falta muita da descoberta que vamos ter, vão ser feitas notificações para ver o que temos, vamos rever tudo, e à luz disso decidiremos", disse o advogado David Touger, após uma audiência preliminar do caso, em que a procuradora submeteu ao juiz resposta aos requerimentos da defesa, incluindo de anulação da confissão do crime.



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Entre os elementos que a Procuradoria ainda não disponibilizou à defesa, disse Touger, estão o relatório da autópsia e fotos do local do crime, além de "muitos relatórios" sobre o caso.



Sobre a demora na entrega destes elementos, Touger disse que é da responsabilidade da Procuradoria, mas que até "não está a ser lenta" dado que "tem muitos casos".



"A Procuradoria disse que na próxima semana vai-nos dar a maioria da documentação que não temos e dentro de 2 a 3 semanas, se tudo correr bem, podemos concentrar a nossa defesa numa direção", disse o advogado.



"Defesa psiquiátrica"



Se for admitida a chamada "defesa psiquiátrica", o facto de o crime ter sido cometido sob "perturbação emocional extrema", a moldura penal de Seabra baixaria de homicídio em segundo grau, de que está acusado, para homicídio involuntário em primeiro grau.



As expetativas do advogado em relação ao sucesso da defesa são "muito positivas" e não existem conversas com a Procuradoria sobre um acordo extra-judicial.



"Nesta altura, está fora de questão" um acordo com a acusação, afirmou.



Touger disse ainda que Seabra vai ser sujeito a nova avaliação psiquiátrica na próxima semana, escusando-se a revelar porquê e qual o nome do psiquiatra responsável.



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O jovem português esteve na curta audiência no Supremo Tribunal do Estado de Nova Iorque, onde compareceu também a mãe, Odília Pereirinha, que se escusou a prestar declarações à imprensa.



Em vez do uniforme prisional das anteriores audiências, Seabra envergou desta vez um fato.



Segundo Touger, Seabra está "ok, tendo em conta as circunstâncias", isto é, de "alguém acusado de homicídio em segundo grau, que nunca passou tempo na prisão ou em problemas" com a Justiça.



No Hospital de Bellevue, Seaba "está na ala (psiquiátrica) do hospital, passa tempo no telhado, pode caminhar nos corredores...", relatou o advogado.



O jovem português tem visitas três dias por semana, habitualmente de família e amigos, e contacto regular com o advogado.



Como outros reclusos em Bellevue, onde se encontra desde o crime de 7 de janeiro, Seabra está a ser vigiado por possibilidade de suicídio, adiantou Touger.



Sobre o seu futuro imediato, a decisão compete ao Departamento Correcional nova-iorquino.



O juiz agendou para 29 de abril a próxima audiência, em que irá decidir acerca dos requerimentos apresentados.



O caso pode então seguir para audições pré-julgamento, dependendo de os elementos estarem todos na posse da defesa e do juiz.



Lusa