"É de direita, do centro e até da esquerda, conforme o local, a hora e a assistência", criticou Jerónimo de Sousa, que voltou a vincar a importância de impedir a vitória do candidato apoiado por PSD/CDS-PP, partidos que considerou quererem "o retrocesso e a revanche [vingança]", ante os apupos de cerca de 6.000 apoiantes, segundo a organização, na antiga FIL.
Entre elogios às qualidades do deputado regional madeirense pela Coligação Democrática Unitária (PCP/PEV), o líder comunista reafirmou ainda a posição conjunta assumida com o PS para um Governo que já está a repor rendimentos e direitos aos trabalhadores e ao povo, 100 dias depois das eleições que desapossaram Passos Coelho e Paulo Portas do poder, pese embora "a intriga" e o "comentário trafulha" que disse andarem a minar a nova maioria parlamentar.
"É esse candidato que PSD e CDS querem ver na Presidência da República e que, na esteira de Cavaco Silva, vem defender um pacto de regime para eternizar a política de direita e manter no poder para sempre os seus defensores", continuou sobre Marcelo Rebelo de Sousa.
Sobre o entendimento da nova maioria parlamentar, Jerónimo de Sousa lamentou que, "em relação ao PCP, intrigam porque" o partido tem "propostas próprias, independência e autonomia".
"Quem nos conhece sabe que não vendemos gato por lebre, que a convergência é na base dos compromissos assumidos. Em relação aos trabalhadores e sua luta, é um insulto soez, vindo dos mesmos que defenderam até ao fim o Governo PSD/CDS e o querem de volta para garantir a irreversibilidade dos roubos e exploração desses anos", afirmou.
O líder comunista não esqueceu as várias medidas concertadas com o novo executivo liderado pelo socialista António Costa e provocou as palmas ao sublinhar ter sido o PCP a tomar a iniciativa na noite das eleições legislativas de 04 de outubro último, citando exemplos como a reposição de rendimentos, a reversão da privatização de empresas de transportes e outras a caminho.
"Os dois partidos que dão corpo à CDU [PCP e PEV] têm tido um papel nesta viragem e não podemos deixar que esta mudança seja abalada, com eleição de um Presidente que continue a proteger os grandes interesses económicos. Temos de trabalhar muito até dia 24 e esclarecer todos os eleitores", reforçou a membro da direção executiva do Partido Ecologista "Os Verdes" Manuela Cunha, destacando a "obra social" de Edgar Silva, "num quadro de uma região [Madeira] em que a democracia não passava de uma miragem e o 25 de Abril demorou a chegar".
Segundo a ecologista, o ex-padre católico, agora membro do Comité Central do PCP, "tem uns braços e um coração que chegam para abraçar o nosso país e o planeta".
Jerónimo de Sousa iniciara o comício a contradizer a impressão geral. "Andam para aí a dizer que a campanha tem sido pouco participada, que é preciso mais participação cidadã".
"Pois bem, aqui estão, quantos? Seis mil, para mais, será com certeza. Aqueles que pensavam que nos desmobilizavam com o anúncio de uma vitória antecipada da candidatura apoiada pelos partidos do retrocesso e revanche, PSD/CDS, e nos levavam a baixar a bandeira do combate por Abril e seus valores, têm aqui neste grandioso comício a resposta", congratulou-se.
Lusa
