Sochi 2014

Mais de 200 escritores publicam carta contra leis antigay da Rússia

Mais de 200 escritores, entre os quais Gunter Grass, Salman Rushdie e Jonathan Franzen, assinaram uma carta aberta para denunciarem as leis russas contra a propaganda gay e a blasfémia como contrárias à liberdade de expressão.

© Susana Vera / Reuters

A carta foi publicada no diário britânico The Guardian hoje, véspera  do início dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, na Rússia, e junta-se  a outros protestos contra aquelas leis. 

A câmara baixa do parlamento russo aprovou em 2013 uma lei que proíbe  a propaganda a "relações sexuais não tradicionais" junto de menores, incluindo  a distribuição de materiais sobre os direitos dos homossexuais, e uma outra  que prevê penas de prisão até três anos para os autores de "ofensa a sentimentos  religiosos". 

Estas leis "põem especificamente em risco os escritores", afirmam os  signatários da carta, que por isso não podem "ficar parados enquanto assistem  ao silenciamento, perseguição e, frequentemente, punição drástica de escritores  e jornalistas pelo simples ato de comunicarem os seus pensamentos". 

As vozes da Rússia, "tanto literárias como jornalísticas", esforçam-se  por "se fazer ouvir", mas as leis aplicadas nos últimos 18 meses no país  prejudicam a liberdade de expressão, escrevem. 

"Uma democracia saudável deve ouvir as vozes independentes de todos  os seus cidadãos (...) Por isso pedimos às autoridades russas que revoguem  estas leis que estrangulam a liberdade de expressão", afirmam. 

Além de Grass, a carta é assinada por três outros Nobel da Literatura  -- Wole Soyinka, Elfriede Jelinek e Orhan Pamuk -, bem como escritores proeminentes  de mais de 30 países, como Ariel Dorfman, Carol Ann Duffy, Edward Albee,  Julian Barnes, Ian McEwan e Neil Gaiman. 

A romancista contemporânea russa Lyudmila Ulitskaya, a primeira mulher  a receber o equivalente russo ao Booker Prize, subscreveu igualmente a carta.

Em declarações ao The Guardian, Ulitskaya considerou que as autoridades  russas tentam impor "uma ideologia cultural que, em muitos aspetos, é semelhante  ao estilo de propaganda da era soviética". 

"Como muitos cidadãos russos, estou profundamente preocupada com o aumento  das restrições à liberdade de expressão no meu país através da crescente  expansão da legislação e da burocracia arbitrária que afeta todos os aspetos  da vida russa", acrescentou.